O preço do diesel e o aumento da movimentação de fertilizantes, sementes e outros insumos para o plantio da safra 2026/27 estão influenciando os custos do transporte rodoviário agrícola no Brasil.
Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), referente a setembro, mostra que os fretes continuam pressionados no comparativo anual, apesar de movimentos diferentes entre as regiões.
Para o Paraná, um dos pontos de atenção está nas rotas que terminam no Porto de Paranaguá, um dos principais corredores de exportação do agronegócio brasileiro.
Fretes para Paranaguá têm comportamentos diferentes
Os dados mostram que a movimentação das tarifas varia bastante conforme a região de origem.
No Distrito Federal, por exemplo, os fretes aumentaram em todas as rotas pesquisadas em setembro.
Nos trajetos com destino a Paranaguá, no Paraná, a alta chegou a 5%.
Já em Mato Grosso do Sul ocorreu movimento inverso.
Na rota entre São Gabriel do Oeste e o Porto de Paranaguá, o preço do transporte apresentou queda de até 11,9% no mês.
A diferença mostra como oferta de caminhões, volume de cargas, demanda regional, exportações e movimentação de insumos podem alterar rapidamente o custo logístico.
Diesel continua pressionando custos
Segundo a Conab, os valores praticados para o transporte de grãos continuam sentindo os efeitos da elevação dos combustíveis.
O diesel representa uma das principais despesas das transportadoras e qualquer aumento tende a ser incorporado ao custo do frete.
Além disso, setembro marcou maior movimentação de adubos, fertilizantes e sementes para atender o plantio da nova safra.
Com caminhões sendo demandados tanto para transportar a produção quanto para levar insumos até as propriedades, a disputa pela capacidade logística também influencia os valores cobrados.
Safra recorde mantém estradas movimentadas
Outro fator que ajuda a explicar a pressão sobre os transportes é o volume elevado da produção brasileira.
A safra 2025/26 gerou forte movimentação de grãos e manteve as exportações aquecidas.
Entre janeiro e setembro, o Brasil embarcou 100,1 milhões de toneladas de soja, aumento de 6,69% em relação ao mesmo período de 2025.
No caso do milho, as exportações atingiram 19,6 milhões de toneladas, queda de 15,69% na comparação anual.
Só em setembro foram exportadas 7,3 milhões de toneladas de soja e 5,2 milhões de toneladas de milho.
Paranaguá mantém peso no escoamento
O Porto de Paranaguá continua tendo participação importante na logística do agronegócio brasileiro.
Entre janeiro e setembro, 25,82% das exportações brasileiras de farelo de soja passaram por Paranaguá, segundo os dados apresentados pela Conab.
O porto ficou atrás apenas de Santos nesse segmento.
Esse volume ajuda a explicar por que as condições das rotas que levam cargas ao Paraná têm peso direto na formação dos custos logísticos de produtores, cooperativas, tradings e transportadoras.
Importação de fertilizantes cai 15,7%
Ao mesmo tempo em que o transporte de insumos influencia os fretes, o Brasil reduziu a quantidade de fertilizantes importados neste ano.
De janeiro a setembro, foram importadas 28,4 milhões de toneladas, queda de aproximadamente 15,7% na comparação com igual período de 2025.
Foi o menor volume registrado desde 2022 para os primeiros nove meses do ano.
Na comparação entre setembro de 2026 e setembro de 2025, a retração chegou a 27,95%.
Mesmo com a queda acumulada, a chegada e a distribuição dos insumos para o plantio continuam movimentando caminhões nas principais regiões agrícolas.
Frete entra diretamente na conta do produtor
Para o produtor, o custo logístico é uma variável importante na formação da margem.
Quanto maior a distância entre a propriedade, o armazém, a indústria ou o porto, maior tende a ser o peso do transporte sobre o valor final recebido pela produção.
Em um Estado fortemente ligado ao escoamento de grãos e derivados pelo Porto de Paranaguá, o comportamento do diesel, a disponibilidade de caminhões e o ritmo da safra continuam sendo fatores importantes para o mercado paranaense.
Com o avanço do plantio da safra 2026/27, a movimentação de insumos permanece no radar e pode continuar influenciando os preços do transporte nos próximos meses.
*Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações da Conab
