4º foco de Newcastle em SC acende novo alerta na avicultura do Paraná

Novo caso foi confirmado em Nova Erechim, dentro da área de restrição; cadeia paranaense reforça vigilância em momento de custos elevados e margem negativa para o produtor

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A confirmação de um quarto foco da doença de Newcastle em Santa Catarina aumenta novamente a atenção sobre a avicultura do Paraná.

O novo caso foi confirmado nesta terça-feira (3) em um estabelecimento avícola de Nova Erechim, no Oeste catarinense, dentro da área de restrição sanitária que já havia sido estabelecida na região.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), esta é a quarta detecção registrada desde a declaração do estado de emergência zoossanitária.

O caso ganha importância para o Paraná pelo tamanho da cadeia avícola estadual e pela proximidade com a região onde estão concentradas as ocorrências catarinenses.

Quarto foco é novamente em Nova Erechim

A sequência de ocorrências começou em 18 de outubro, em uma criação comercial de perus de corte em Nova Itaberaba.

Depois, houve confirmação em Coronel Freitas e uma primeira ocorrência em Nova Erechim.

Agora, um novo estabelecimento de Nova Erechim teve diagnóstico confirmado.

Nos três primeiros focos, as medidas previstas nos protocolos sanitários já foram adotadas e, segundo o Mapa, as propriedades envolvidas encontram-se em vazio sanitário.

No novo estabelecimento, o Serviço Veterinário Oficial adotará medidas que incluem investigação epidemiológica, vigilância e contenção da doença.

Paraná mantém vigilância reforçada

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) já havia intensificado a fiscalização e a vigilância sanitária no Estado após o início das ocorrências em Santa Catarina.

Na última atualização oficial disponível, os programas de monitoramento do Paraná não indicavam detecção da doença de Newcastle nem de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade no Estado.

A fiscalização do trânsito de aves vivas foi reforçada nas divisas e também por meio de operações móveis.

O gerente de Saúde Animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, destacou a importância da prevenção diante do peso da produção paranaense.

“Faz-se necessária a atuação contínua da Adapar na proteção dos nossos plantéis”, afirmou.

Entre as orientações estão o controle rigoroso de pessoas e veículos, limpeza e desinfecção das instalações, controle de roedores, proteção contra aves silvestres e acompanhamento diário da mortalidade e do comportamento das aves.

Paraná responde por cerca de 35% da produção nacional

O tamanho da cadeia ajuda a explicar o nível de atenção.

Em 2025, o Paraná produziu aproximadamente 5 milhões de toneladas de carne de frango, segundo dados divulgados pela Adapar.

O volume correspondeu a cerca de 35% da produção nacional.

As exportações paranaenses chegaram a 2,05 milhões de toneladas, com movimentação de aproximadamente US$ 3,53 bilhões.

A carne de aves produzida no Estado chegou a cerca de 150 mercados internacionais.

Produtos inspecionados continuam seguros

A doença de Newcastle exige medidas sanitárias rigorosas e pode provocar grandes impactos sobre a produção e o comércio de aves.

Isso, porém, não significa risco relacionado ao consumo dos produtos que passam pela inspeção oficial.

Ao tratar das ocorrências, o ministro da Agricultura, André de Paula, reforçou:

“O consumo dessa carne não traz nenhum risco às pessoas.”

O Mapa também vem reiterando que produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanecem seguros para consumo.

Alerta sanitário chega em momento de custos elevados

O avanço dos focos em Santa Catarina ocorre em um momento em que a avicultura paranaense também enfrenta pressão econômica.

Os dois cenários são independentes: não há indicação de que a doença tenha causado a alta dos custos de produção no Paraná.

Mas os números mostram que a cadeia enfrenta simultaneamente atenção sanitária e dificuldades de margem.

Em setembro, produzir um quilo de frango vivo em aviários climatizados no Paraná custou, em média, R$ 4,96.

O valor ficou 2,27% acima de agosto e 7,13% superior ao registrado em setembro de 2025.

Produtor recebeu menos que o custo de produção

Enquanto o custo chegou a R$ 4,96 por quilo, o preço nominal médio recebido pelo produtor paranaense ficou em R$ 4,75 por quilo.

A diferença foi negativa em R$ 0,21 por quilo.

Isso significa que o preço recebido ficou 4,23% abaixo do custo total calculado.

A análise é do médico-veterinário Roberto Carlos Andrade e Silva, do Departamento de Economia Rural (Deral).

Ração é o maior peso

A alimentação das aves responde por 65,55% do custo de produção do frango.

Em setembro, a alimentação representou R$ 3,25 por quilo produzido no Paraná, alta de 5,18% em relação ao mês anterior.

O milho no atacado chegou a R$ 66,43 por saca de 60 quilos, enquanto o farelo de soja alcançou R$ 2.171,40 por tonelada.

Na comparação com setembro de 2025, o farelo ficou 27,5% mais caro.

Produtor precisa de mais frango para comprar ração

A piora aparece também na relação de troca.

Em setembro, foram necessários 233 quilos de frango para adquirir uma tonelada de milho, 13,7% a mais que há um ano.

Para comprar uma tonelada de farelo de soja, foram necessários 457 quilos de frango, aumento de 33,2%.

O cenário exige atenção em duas frentes: controle sanitário para evitar a entrada da doença no Paraná e acompanhamento dos custos que já pressionam a rentabilidade das propriedades.

*Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do Mapa, Adapar e Seab/Deral

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