Pecuária entra em nova fase e produtor que não investir em qualidade pode ficar para trás

Presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil afirma que genética, manejo, eficiência e avaliação de carcaças deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos para competir no mercado

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A pecuária brasileira vive um momento de força no mercado internacional, mas também de maior cobrança dentro da porteira. Depois de um novo recorde nas exportações de carne bovina em 2025, produtores enfrentam um cenário em que produzir mais já não basta: é preciso produzir melhor.

A avaliação é de Victor Paulo Silva Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB). Segundo ele, genética, manejo, eficiência produtiva e qualidade da carne passaram a ter peso cada vez maior na competitividade das propriedades.

“Quanto mais espaço a carne brasileira conquista no mundo, maior é a cobrança por qualidade”, afirma Victor Paulo Silva Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB).

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), citados pelo dirigente, o Brasil exportou cerca de 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para 177 países em 2025. O MDIC também registrou valor recorde nas exportações brasileiras de carne bovina naquele ano.

Qualidade deixou de ser diferencial

Para o presidente da ACNB, a transformação do mercado mudou também a maneira como o produtor precisa administrar a atividade.

Investimentos que anteriormente poderiam ser vistos como diferenciais, como melhoramento genético e acompanhamento de indicadores produtivos, passaram a fazer parte da própria estratégia de sobrevivência do negócio.

“Quem pretende permanecer competitivo precisa entregar um produto cada vez mais alinhado às demandas da indústria e, principalmente, dos consumidores, que buscam carne de qualidade, produzida com responsabilidade”, destaca Victor Paulo Silva Miranda.

Essa realidade também interessa ao pecuarista paranaense. Em um mercado cada vez mais conectado a frigoríficos, padrões de carcaça, rastreabilidade e exigências dos consumidores, decisões tomadas dentro da propriedade passam a interferir diretamente no valor final do animal.

Nelore aposta em genética e desempenho

A raça Nelore ocupa posição de destaque na pecuária de corte brasileira e, segundo a ACNB, décadas de seleção genética permitiram avanços em características consideradas estratégicas para a produção.

Entre elas estão fertilidade, ganho de peso, rendimento de carcaça, marmoreio e precocidade.

“O produtor deixou de olhar apenas para o volume produzido e passou a enxergar valor nos indicadores que impactam a rentabilidade da fazenda”, afirma o presidente da ACNB.

O dirigente defende que medir os resultados passou a ser tão importante quanto produzir.

Quase 50 mil animais avaliados

Um dos exemplos citados pela associação é o Circuito Nelore de Qualidade, iniciativa voltada à avaliação de carcaças bovinas.

Na edição de 2025, foram avaliados 49,7 mil animais, com participação de 388 pecuaristas. As etapas foram realizadas em 12 estados brasileiros, além do Paraguai e da Bolívia, segundo dados apresentados pela ACNB.

O circuito também registrou dois recordes naquele ano. Em Diamantino, no Mato Grosso, foram avaliados 5.908 animais. Depois, em Mozarlândia, Goiás, o número chegou a 6.650 bovinos.

Para 2026, a associação informou que, nas primeiras sete etapas de um calendário previsto de 38, aproximadamente 6 mil carcaças já haviam sido analisadas.

Informação passa a valer dinheiro dentro da fazenda

Na avaliação de Victor Paulo Silva Miranda, acompanhar os indicadores produtivos permite que o pecuarista identifique quais animais, cruzamentos e estratégias estão entregando os melhores resultados.

“A competitividade da pecuária dependerá, cada vez mais, da capacidade de produzir animais superiores e de utilizar informações para orientar decisões dentro da fazenda”, afirma.

Para os produtores do Paraná, o recado é especialmente relevante diante da crescente profissionalização da atividade. A tendência é que fatores como genética, conversão alimentar, acabamento de carcaça e padronização tenham influência cada vez maior na rentabilidade.

Na avaliação do presidente da ACNB, esse processo já está acontecendo.

“O Circuito Nelore de Qualidade mostra que esse caminho já está sendo percorrido por centenas de produtores, e os resultados comprovam que investir em qualidade gera retorno.”

Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações de artigo de Victor Paulo Silva Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), distribuído pela Comunicação.

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