O preço do feijão reagiu com força no Paraná, mas isso não foi suficiente para estimular uma expansão da primeira safra 2026/27.
A área projetada é de 88,3 mil hectares, redução de 14% em relação aos 102,2 mil hectares colhidos na safra de verão 2025/26, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).
Ao mesmo tempo, os preços recebidos pelos produtores acumulam valorização próxima de 60% em 12 meses, tanto para o feijão-carioca quanto para o feijão-preto.
Plantio chega a 52%, mas está atrasado
A semeadura ultrapassou a metade da área prevista e chegou a 52%.
Apesar disso, o ritmo está abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando 62% da área já estava plantada.
Segundo o engenheiro-agrônomo C. Hugo W. Godinho, do Deral, as chuvas frequentes têm reduzido as janelas disponíveis para entrada das máquinas.
Mesmo com o atraso relativo, as lavouras apresentam desenvolvimento inicial satisfatório. Apenas 3% da área semeada já entrou em floração.
Feijão-carioca sobe 12% em setembro
A entressafra e a expectativa de uma produção menor ajudaram a sustentar uma recuperação dos preços.
Em setembro, os valores médios recebidos pelos produtores paranaenses avançaram:
Feijão-carioca: 12%
Feijão-preto: 8%
Quando a comparação considera os últimos 12 meses, a valorização de ambos fica próxima de 60%.
Mesmo assim, o Deral avalia que a alta recente terá pouca influência sobre a área desta primeira safra.
Preço melhor não convence produtor a ampliar área
Um dos motivos é que o planejamento da lavoura já havia sido definido antes da recuperação mais recente das cotações.
Além disso, o feijão continua sendo considerado uma cultura de maior risco quando comparada à soja e ao milho.
Não é apenas uma questão de preço. O feijão também é particularmente sensível às condições meteorológicas, o que aumenta a exposição do produtor em anos de maior instabilidade.
El Niño aumenta preocupação
A presença do El Niño coloca o clima entre os principais fatores de risco desta safra.
As principais regiões produtoras estão com boa disponibilidade de água, e a tendência apontada pelo Deral é de manutenção de chuvas acima da média principalmente no Sudoeste e Sul do Paraná.
Até agora, essa umidade ajudou no estabelecimento inicial das plantas.
O problema é o que pode acontecer se as precipitações permanecerem excessivas nas fases seguintes.
Excesso de chuva pode favorecer doenças
Segundo a análise do Deral, chuva em excesso pode aumentar a ocorrência de doenças, ampliar os períodos de nebulosidade e criar dificuldades para os trabalhos no campo.
Outro risco aparece justamente próximo à colheita: excesso de umidade pode provocar germinação dos grãos ainda dentro das vagens, comprometendo qualidade e rendimento.
As primeiras áreas mais precoces podem começar a ser colhidas ainda em dezembro, mas a colheita deve ganhar força somente no início de 2027.
O cenário cria uma situação particular para o produtor: preços melhores e expectativa de oferta menor, mas uma safra que começa com redução de área e riscos climáticos importantes pela frente.
Fonte técnica: Boletim Conjuntural do Deral, Semana 41/2026, de 8 de outubro de 2026, análise do engenheiro-agrônomo C. Hugo W. Godinho.
Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações da Seab/Deral
