A produção de frango vivo fechou setembro no vermelho no Paraná. O custo de produção atingiu R$ 4,96 por quilo, enquanto o preço médio recebido pelo produtor ficou em R$ 4,75 por quilo.
A diferença foi negativa em R$ 0,21 por quilo, o equivalente a 4,23% abaixo do custo total de produção considerado pelo Departamento de Economia Rural (Deral).
Na comparação com agosto, o custo para produzir o frango aumentou 2,27%. Em 12 meses, a alta acumulada chegou a 7,13%.
Ração responde por quase dois terços do custo
A alimentação das aves continua sendo o principal peso na conta do produtor.
Segundo análise do médico-veterinário Roberto Carlos Andrade e Silva, do Deral, a nutrição animal representa 65,55% do Índice de Custos de Produção de Frango (ICPFrango).
No Paraná, o custo da alimentação chegou a R$ 3,25 por quilo de frango produzido em setembro.
O valor aumentou 5,18% em apenas um mês e ficou 9,80% acima do registrado em setembro de 2025.
Milho e farelo de soja ficaram mais caros
A pressão vem principalmente dos dois principais componentes da ração.
O milho no atacado encerrou setembro cotado a R$ 66,43 por saca de 60 quilos no Paraná.
O preço subiu 2,9% em relação a agosto e ficou 8,7% acima do registrado um ano antes.
O farelo de soja teve aumento ainda mais expressivo.
A tonelada chegou a R$ 2.171,40, alta de 10% em apenas um mês e de 27,5% na comparação com setembro de 2025.
Esse movimento ajuda a explicar por que a ração apresentou a maior contribuição para o aumento do custo de produção no mês.
Custo sobe, mas preço do frango não acompanha
Enquanto as despesas aumentaram, o preço recebido pelo produtor praticamente ficou parado.
O frango vivo foi negociado, em média, a R$ 4,75 por quilo em setembro, avanço de apenas 0,42% em relação a agosto.
Na comparação anual, porém, houve queda de 4,63%.
O resultado mostra um movimento desfavorável ao avicultor: o custo aumentou enquanto o valor recebido pelo produto ficou abaixo do observado há um ano.
ICPFrango acumula alta de 6,57% no ano
O Índice de Custos de Produção de Frango encerrou setembro em 383,88 pontos.
O indicador avançou 2,38% sobre agosto, 7,05% em 12 meses e acumula aumento de 6,57% em 2026.
Além da ração, o custo de capital subiu 1,97% no mês.
No acumulado do ano, algumas despesas apresentaram aumentos ainda mais fortes:
- sanidade: +35,70%
- ração: +10,95%
- energia, calefação e cama: +8,54%
- transporte: +7,40%
- mão de obra: +5,68%
Em sentido contrário, houve redução de 7,40% nos custos de capital e de 4,66% nos gastos com genética.
Produtor precisa entregar mais frango para comprar milho
A piora das margens também aparece na chamada relação de troca.
Em setembro de 2026, foram necessários 233 quilos de frango vivo para comprar uma tonelada de milho.
O volume é 13,7% maior que o necessário no mesmo período do ano passado.
Para adquirir uma tonelada de farelo de soja, foram necessários 457 quilos de frango, aumento de 33,2% em um ano.
Na prática, isso significa que o produtor precisa entregar uma quantidade significativamente maior de frango para comprar os mesmos insumos utilizados na alimentação das aves.
Paraná tem custo maior que preço recebido
O custo de R$ 4,96 por quilo registrado no Paraná ficou no mesmo nível de Santa Catarina.
No Rio Grande do Sul, a referência de setembro foi de R$ 4,94 por quilo.
A diferença é que, no Paraná, a combinação entre ração mais cara e preço do frango sem acompanhar a mesma velocidade colocou a referência de rentabilidade da atividade em terreno negativo.
O comportamento dos preços do milho e do farelo de soja será decisivo para determinar se essa pressão sobre as margens continuará nos próximos meses.
Autor técnico: Méd. Veterinário Roberto Carlos Andrade e Silva
Fonte técnica: Secretaria da Agricultura e do Abastecimento — Departamento de Economia Rural (Deral) — Divisão de Conjuntura Agropecuária — Boletim Conjuntural Semana 44/2026 — 29 de outubro de 2026
*Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações da Seab/Deral
