O plantio da soja da safra 2026/27 chegou a 71% da área prevista no Paraná, mas o excesso de chuva começa a aumentar a preocupação com o desenvolvimento das lavouras.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), as precipitações intensas, o encharcamento do solo, a baixa luminosidade e as temperaturas abaixo do esperado para esta época têm dificultado tanto o plantio quanto o estabelecimento inicial das plantas.
Em algumas propriedades já existem registros de erosão, rompimento de terraços e curvas de nível, lixiviação de nutrientes e perdas parciais ou totais das lavouras.
85% das lavouras ainda estão boas
Apesar dos problemas provocados pelo clima, a maior parte da soja implantada ainda apresenta boas condições.
O levantamento referente a 3 de novembro mostra:
- 85% das lavouras em boas condições
- 14% em condição média
- 1% em condição ruim
Do total implantado, 21% ainda está em germinação, 76% em desenvolvimento vegetativo e cerca de 3% já chegou à floração.
Chuva provoca falhas e amarelecimento
O excesso de água está afetando principalmente as áreas recém-implantadas.
Mesmo com parte das lavouras apresentando boa germinação e população adequada de plantas, o Deral registra falhas de emergência, redução do número de plantas, amarelecimento das folhas e desenvolvimento vegetativo lento ou praticamente parado.
As chuvas também favorecem o aumento de plantas daninhas, pragas e doenças.
Outro problema é a dificuldade para entrar nas propriedades e realizar pulverizações e outros tratos culturais dentro dos períodos recomendados.
Granizo e vendavais causam perdas
Além da chuva excessiva, algumas regiões sofreram com episódios de vendaval e granizo.
Segundo os relatos regionais reunidos pelo Deral, houve perdas parciais e até totais em algumas lavouras.
Entre 1º e 2 de novembro, o tempo ficou instável em grande parte do Paraná, com chuvas expressivas, trovoadas e temporais principalmente no Oeste, Noroeste e Centro-Sul do Estado.
Atraso pode chegar à segunda safra de milho
A preocupação não termina na soja.
O Deral alerta que as condições atuais podem prolongar o ciclo da cultura em algumas áreas e gerar reflexos no planejamento da segunda safra de milho.
Quanto mais tarde a soja avançar em determinadas regiões, menor pode ser a janela disponível posteriormente para implantação do milho.
O comportamento do clima durante novembro será, portanto, decisivo para o ritmo da safra.
Milho da primeira safra chega a 97%
O milho da primeira safra está mais avançado.
O plantio alcançou 97% da área prevista, com 76% das lavouras avaliadas em boas condições.
Mesmo assim, o excesso de umidade, a baixa luminosidade e as temperaturas amenas estão provocando atraso no desenvolvimento e amarelecimento das plantas em algumas regiões.
Também existem registros de lagartas e tripes, além de preocupação com o aumento de doenças e com danos causados por chuvas intensas, ventos fortes e granizo.
Feijão chega a 85%, mas produtor enfrenta dificuldades
O plantio do feijão da primeira safra alcançou 85% da área, mas apenas 66% das lavouras estão classificadas em boas condições.
Segundo o Deral, além do excesso de chuva e dos riscos climáticos, os custos de produção e a remuneração recebida pelos agricultores estão desestimulando a compra de sementes e a expansão da área cultivada.
Em áreas mais baixas, o encharcamento já provocou perda de plantas.
Trigo termina safra com problemas de qualidade
Na safra de inverno, a colheita do trigo chegou a 92% da área, mas apenas 40% das lavouras remanescentes estão classificadas em boas condições.
O excesso de chuva e a baixa luminosidade prejudicaram produtividade e qualidade.
O Deral registra grande volume de trigo de baixo padrão, presença de triguilho e ocorrência de doenças como brusone, giberela e manchas foliares.
Arroz irrigado tem perdas irreversíveis
Outro ponto de atenção está no arroz irrigado.
A elevação dos níveis dos rios Ivaí e Paraná provocou enchentes em áreas cultivadas e causou perdas consideradas irreversíveis em parte das lavouras.
Em algumas áreas atingidas, não existe possibilidade de replantio.
A continuidade da atividade dependerá principalmente do comportamento das chuvas durante novembro e dezembro.
Fonte técnica: Secretaria da Agricultura e do Abastecimento — Departamento de Economia Rural (Deral) — Condições de Tempo e Cultivo — 27 de outubro a 3 de novembro de 2026
*Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações da Seab/Deral
