O El Niño se intensificou e deve aumentar a chuva no Paraná nos próximos meses, justamente durante um período decisivo para o planejamento e implantação da safra.
Segundo atualização divulgada pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), as previsões internacionais indicam fortalecimento do fenômeno, com expectativa de chuva acima da média em todas as regiões paranaenses até dezembro de 2026.
O alerta é especialmente importante para produtores rurais porque o excesso de precipitação pode interferir diretamente nas operações dentro das propriedades, incluindo as janelas de plantio e colheita.
Oeste, Sudoeste e Centro-Sul exigem mais atenção
De acordo com o Simepar, as regiões que devem registrar os maiores volumes de chuva no Paraná são o Oeste, Sudoeste e Centro-Sul.
Além do aumento dos acumulados, também há previsão de maior frequência de episódios de tempo severo, como tempestades fortes, chuva intensa, inundações e enxurradas.
A influência do El Niño sobre o clima paranaense deve continuar até o primeiro trimestre de 2027.
“O planejamento dos produtores será essencial”, alerta o Simepar ao avaliar os possíveis impactos do excesso de chuva sobre a agricultura.
El Niño pode ficar muito forte
A atualização divulgada pelo Simepar cita dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
Em julho, uma das principais áreas monitoradas do Oceano Pacífico apresentou temperatura da superfície do mar 1,4°C acima da média.
Segundo as projeções apresentadas pelo Simepar, há mais de 90% de probabilidade de o El Niño alcançar intensidade muito forte, especialmente entre outubro e dezembro.
O fenômeno ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal, provocando alterações na circulação atmosférica e influenciando chuva e temperatura em várias partes do planeta.
Chuva acima da média já apareceu no inverno
Os efeitos já podem ser percebidos no Paraná.
Das 45 estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de funcionamento, 41 registraram chuva acima da média histórica em julho de 2026.
Um dos casos de maior destaque ocorreu em Palmas, no Centro-Sul, onde foram registrados 311 milímetros durante o mês.
Foi o maior volume de chuva para julho desde a instalação da estação meteorológica no município, há 28 anos.
Também houve recordes para o mês em estações localizadas em Altônia, Cianorte, Cornélio Procópio, Cruzeiro do Iguaçu, Foz do Iguaçu e Ubiratã.
Excesso de água também pode prejudicar a lavoura
Para a agricultura, mais chuva não significa necessariamente prejuízo. A maior disponibilidade de água pode reduzir áreas de seca e beneficiar o desenvolvimento das culturas.
O problema surge quando a precipitação ocorre em excesso ou no momento errado.
Segundo o Simepar, solos com umidade elevada podem dificultar operações de campo e comprometer períodos adequados para plantio e colheita.
Outro risco está relacionado às doenças.
O excesso de umidade pode favorecer doenças fúngicas e, dependendo da cultura e da fase de desenvolvimento da planta, afetar a qualidade dos grãos.
Há ainda aumento do risco de erosão e perda de solo em episódios de chuva mais intensa.
Produtor terá de acompanhar previsão de perto
O Simepar ressalta que mesmo eventos fortes de El Niño não provocam exatamente os mesmos efeitos em todas as regiões.
Por isso, a previsão de uma primavera e um verão mais chuvosos não significa que haverá chuva constante ou prejuízo generalizado.
A recomendação é acompanhar continuamente as atualizações meteorológicas, principalmente porque a intensidade e o local das chuvas dependem da atuação de frentes frias, áreas de baixa pressão e outros sistemas atmosféricos.
Para quem produz no Paraná, o recado é direto: o clima deverá ter peso ainda maior nas decisões da próxima safra.
Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar)
