A União Europeia vai suspender, a partir desta quinta-feira (3), as importações de carne bovina e de aves provenientes do Brasil.
A medida também alcança ovos e mel e ocorre porque o país ainda não apresentou, na avaliação da Comissão Europeia, garantias consideradas suficientes sobre o cumprimento das novas exigências do bloco para o uso de antimicrobianos na produção animal.
A restrição ganha importância para o Paraná principalmente por causa da avicultura. O estado é o maior produtor e exportador brasileiro de carne de frango, atividade que tem forte presença em cooperativas, frigoríficos e propriedades rurais paranaenses.
Por que a União Europeia suspendeu as compras
As novas regras europeias proíbem, na produção dos animais destinados ao mercado do bloco, o uso de antimicrobianos com a finalidade de promover crescimento ou aumentar produtividade.
Também existem restrições ao uso em animais de determinados medicamentos antimicrobianos reservados para o tratamento de infecções em seres humanos.
A partir de 3 de setembro, os países que exportam animais e produtos de origem animal para a União Europeia precisam comprovar conformidade com essas exigências.
O Brasil ainda não está na lista de países considerados adequados às novas regras.
Segundo a Comissão Europeia, as negociações com as autoridades brasileiras continuam e as exportações poderão ser retomadas quando a conformidade for comprovada.
Auditoria pode abrir caminho para o frango
A situação da carne de aves pode ter uma definição mais rápida que a da carne bovina.
Uma auditoria de técnicos europeus está em andamento no Brasil e deve ser concluída nesta sexta-feira (4).
O trabalho envolve principalmente os controles relacionados às aves e ao mel.
Se a avaliação for positiva e houver aprovação dos países da União Europeia, a expectativa é de que as exportações brasileiras de carne de frango possam voltar a ser autorizadas nas semanas seguintes.
Para a carne bovina, o cenário é mais complexo porque o ciclo produtivo é mais longo e as exigências precisam ser comprovadas ao longo da cadeia.
Paraná responde por mais de 40% do frango exportado pelo Brasil
É justamente na avicultura que a decisão europeia ganha peso para o Paraná.
Em 2025, o estado permaneceu na liderança nacional e respondeu por 40,8% de todo o volume de carne de frango exportado pelo Brasil.
Foram aproximadamente 2,1 milhões de toneladas embarcadas pelo Paraná, com receita superior a US$ 3,7 bilhões.
Outro indicador da força paranaense está no Porto de Paranaguá. Somente no primeiro trimestre de 2026, o terminal respondeu por 47,8% das exportações brasileiras de carne de frango, com 819 mil toneladas movimentadas.
Isso não significa que todo esse volume tenha como destino a União Europeia. Os principais compradores do frango brasileiro estão espalhados por diversos mercados da Ásia, Oriente Médio, África e outros continentes.
Mesmo assim, o fechamento de um mercado relevante reduz alternativas comerciais e aumenta a importância da rápida solução da questão sanitária.
Mercado europeu paga mais pela carne brasileira
No caso da carne bovina, a União Europeia não é o maior destino brasileiro em quantidade, mas é considerada um mercado importante pelo valor dos produtos comercializados.
Em 2025, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de carne bovina para o bloco europeu, com mais de 92 mil toneladas exportadas e receita superior a 713 milhões de euros.
Dados da própria Comissão Europeia mostram que as compras de carne bovina brasileira pelo bloco cresceram fortemente em valor em 2025.
Por isso, mesmo que o volume destinado à Europa seja menor que o enviado a grandes compradores como a China, a suspensão representa perda de acesso a um mercado de maior valor agregado.
Suspensão não tem prazo definido
A Comissão Europeia ainda não informou uma data para o fim da restrição.
No caso das aves, o resultado da auditoria que termina nesta sexta-feira será determinante para saber se a retomada poderá ocorrer mais rapidamente.
Para bovinos, o processo pode demorar mais.
O governo brasileiro tenta demonstrar que os sistemas nacionais de controle e certificação são capazes de atender às regras europeias.
Para o agro paranaense, especialmente para a cadeia de aves, os próximos dias serão importantes para saber se a suspensão será curta ou se o setor terá de trabalhar durante mais tempo com um dos mercados internacionais temporariamente fechado.
Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do InfoMoney, Comissão Europeia, Deral e Governo do Paraná
