Depois de dois meses consecutivos de queda, os preços da carne de frango voltaram a reagir em agosto na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
Segundo o levantamento divulgado nesta sexta-feira (4), a recuperação foi sustentada principalmente pelo aquecimento da demanda no mercado interno, especialmente no começo de agosto, além do bom desempenho das exportações.
Do lado da oferta, o Cepea aponta que a disponibilidade de carne também ficou mais ajustada ao consumo, ajudando a dar sustentação às cotações.
Mercado volta a reagir depois de dois meses
A recuperação interrompe uma sequência negativa para a carne de frango.
Em junho, os preços médios haviam recuado depois de dois meses de altas. Naquele momento, o mercado foi pressionado principalmente pela desaceleração das vendas na segunda metade do mês.
Agora, o cenário mostra uma mudança de direção, ainda que a recuperação observada em agosto tenha sido considerada pequena pelo Cepea.
O comportamento reforça a importância do equilíbrio entre produção, consumo doméstico e exportações para a formação dos preços da proteína.
Exportações ajudam a sustentar mercado
O ritmo dos embarques internacionais também contribuiu para a recuperação da carne de frango.
O desempenho externo tem sido um dos principais pontos de sustentação do setor brasileiro em 2026, ajudando a escoar parte da produção e reduzindo a pressão sobre o mercado doméstico.
Esse fator ganha peso especial para o Paraná, maior produtor nacional de frango e líder nas exportações brasileiras da proteína.
No primeiro trimestre de 2026, o Estado respondeu por 42,3% do volume total de carne de frango exportado pelo Brasil.
Paraná tem peso decisivo na avicultura
O desempenho do mercado nacional de frango é acompanhado de perto pela cadeia produtiva paranaense.
Além da liderança na produção, o Estado possui uma forte estrutura de frigoríficos, cooperativas, produtores integrados e empresas ligadas à fabricação de rações e processamento da carne.
Somente entre janeiro e maio, 1,04 milhão de toneladas de aves congeladas foram embarcadas pelos portos paranaenses, volume recorde para o período. Paranaguá respondeu por 47,3% das exportações brasileiras de carne de frango movimentadas nesse intervalo.
Isso não significa, porém, que a recuperação registrada pelo Cepea seja automaticamente o preço recebido pelo produtor paranaense. Os indicadores de carne acompanhados pela instituição utilizam mercados específicos, principalmente o atacado paulista.
Setembro começa com expectativa de vendas maiores
Para o início de setembro, pesquisadores do Cepea apontam uma expectativa favorável para o consumo doméstico.
O setor espera aumento das vendas internas, principalmente em razão do pagamento de salários no começo do mês.
Agentes consultados pelo Centro de Pesquisas já relatam sinais desse aquecimento.
Se essa procura se confirmar e a oferta continuar ajustada, o mercado pode encontrar espaço para manter a recuperação das cotações nas próximas semanas.
Preços já avançaram nos primeiros dias do mês
Os indicadores do Cepea mostram que setembro começou com valorização no atacado paulista.
Em 3 de setembro, o frango inteiro congelado estava cotado em R$ 7,52 por quilo, com alta acumulada de 2,73% no mês.
O frango resfriado chegou a R$ 7,54 por quilo, acumulando avanço de 3,43% em setembro até aquela data.
Os valores correspondem à média do atacado nas regiões da Grande São Paulo, São José do Rio Preto e Descalvado e servem como referência de acompanhamento do mercado, não como cotação específica para o Paraná.
Demanda será decisiva nas próximas semanas
Para a cadeia avícola, setembro começa com uma combinação mais favorável do que a observada nos dois meses anteriores.
A demanda doméstica apresenta sinais de melhora, as exportações seguem em bom ritmo e a oferta está mais equilibrada.
No Paraná, onde a avicultura tem enorme peso econômico, a continuidade desse movimento será acompanhada principalmente por produtores, cooperativas e frigoríficos.
O ponto agora é saber se o aumento das vendas esperado para o começo do mês terá força suficiente para transformar a pequena reação de agosto em uma recuperação mais consistente dos preços.
Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do Cepea/Esalq-USP e Governo do Paraná
