A oferta reduzida de feijão de melhor qualidade está sustentando uma nova valorização dos preços no mercado brasileiro, enquanto o Paraná enfrenta atraso no plantio da primeira safra 2026/27.
Entre os dias 15 e 22 de outubro, o feijão-preto tipo 1 apresentou alta média de 2,70% nas regiões acompanhadas pelo indicador Cepea/CNA.
Em Curitiba, a valorização foi de 0,27% na semana.
O movimento ocorre em um momento de menor disponibilidade de lotes de boa qualidade, entressafra e compras pontuais do varejo para reposição dos estoques.
Feijão-preto lidera valorização
Entre os diferentes tipos acompanhados pelo mercado, o feijão-preto registrou o avanço mais expressivo.
A alta ocorreu em todas as regiões pesquisadas pelo Cepea, com destaque para Sorriso, em Mato Grosso, onde a valorização chegou a 4,52%.
Em Itapeva, São Paulo, o avanço foi de 1,44%, enquanto Curitiba registrou alta de 0,27%.
A menor quantidade de grãos de boa qualidade disponível para negociação continua dando sustentação às cotações.
Carioca também fica mais caro
O feijão-carioca também apresentou valorização, embora em ritmo mais moderado.
Para os grãos de peneira 12 e nota 9 ou superior, os preços subiram em média 0,64% na semana.
Já os lotes classificados com notas 8 e 8,5 tiveram avanço médio de 1,17%.
Nesse segmento, a retomada das compras ajudou a fortalecer as cotações, mas a resistência de compradores aos preços pedidos ainda limita movimentos mais intensos.
Plantio está atrasado no Paraná
Enquanto o mercado acompanha a oferta disponível, a atenção também está voltada para a próxima safra.
No Paraná, o plantio da primeira safra alcançou 65% da área prevista, abaixo dos 74% registrados no mesmo período de 2025.
As chuvas das últimas semanas dificultaram os trabalhos no campo e reduziram as janelas disponíveis para a entrada das máquinas.
O desempenho paranaense será importante para a oferta nas próximas semanas, especialmente porque o Estado possui participação relevante na produção brasileira de feijão.
Preços já vinham subindo no Paraná
O movimento de valorização não começou agora.
Em setembro, os preços médios recebidos pelos produtores paranaenses já haviam registrado alta de 12% para o feijão-carioca e 8% para o feijão-preto, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).
Na comparação acumulada de 12 meses, a valorização estava próxima de 60%.
Ao mesmo tempo, a área prevista para a primeira safra 2026/27 no Paraná é de aproximadamente 88,3 mil hectares, redução de 14% em relação à área colhida na temporada anterior.
Oferta deve continuar no centro das atenções
No curto prazo, a expectativa é de que a disponibilidade limitada de grãos de boa qualidade continue ajudando a sustentar os preços, principalmente do feijão-preto.
Para o carioca, o avanço da nova colheita em São Paulo poderá aumentar a oferta no mercado.
Já no Paraná, o ritmo do plantio e as condições do clima serão decisivos para definir a disponibilidade futura do produto.
Se a semeadura recuperar o atraso e as lavouras apresentarem bom desenvolvimento, a entrada da nova produção poderá alterar o equilíbrio atual entre oferta e preços.
*Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações da CNA, Cepea e Seab/Deral
