Feijão sobe de preço com oferta restrita; plantio está atrasado no Paraná

Menor disponibilidade de grãos de boa qualidade sustenta valorização no mercado; no Estado, semeadura alcançou 65% da área prevista, abaixo dos 74% registrados há um ano

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A oferta reduzida de feijão de melhor qualidade está sustentando uma nova valorização dos preços no mercado brasileiro, enquanto o Paraná enfrenta atraso no plantio da primeira safra 2026/27.

Entre os dias 15 e 22 de outubro, o feijão-preto tipo 1 apresentou alta média de 2,70% nas regiões acompanhadas pelo indicador Cepea/CNA.

Em Curitiba, a valorização foi de 0,27% na semana.

O movimento ocorre em um momento de menor disponibilidade de lotes de boa qualidade, entressafra e compras pontuais do varejo para reposição dos estoques.

Feijão-preto lidera valorização

Entre os diferentes tipos acompanhados pelo mercado, o feijão-preto registrou o avanço mais expressivo.

A alta ocorreu em todas as regiões pesquisadas pelo Cepea, com destaque para Sorriso, em Mato Grosso, onde a valorização chegou a 4,52%.

Em Itapeva, São Paulo, o avanço foi de 1,44%, enquanto Curitiba registrou alta de 0,27%.

A menor quantidade de grãos de boa qualidade disponível para negociação continua dando sustentação às cotações.

Carioca também fica mais caro

O feijão-carioca também apresentou valorização, embora em ritmo mais moderado.

Para os grãos de peneira 12 e nota 9 ou superior, os preços subiram em média 0,64% na semana.

Já os lotes classificados com notas 8 e 8,5 tiveram avanço médio de 1,17%.

Nesse segmento, a retomada das compras ajudou a fortalecer as cotações, mas a resistência de compradores aos preços pedidos ainda limita movimentos mais intensos.

Plantio está atrasado no Paraná

Enquanto o mercado acompanha a oferta disponível, a atenção também está voltada para a próxima safra.

No Paraná, o plantio da primeira safra alcançou 65% da área prevista, abaixo dos 74% registrados no mesmo período de 2025.

As chuvas das últimas semanas dificultaram os trabalhos no campo e reduziram as janelas disponíveis para a entrada das máquinas.

O desempenho paranaense será importante para a oferta nas próximas semanas, especialmente porque o Estado possui participação relevante na produção brasileira de feijão.

Preços já vinham subindo no Paraná

O movimento de valorização não começou agora.

Em setembro, os preços médios recebidos pelos produtores paranaenses já haviam registrado alta de 12% para o feijão-carioca e 8% para o feijão-preto, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).

Na comparação acumulada de 12 meses, a valorização estava próxima de 60%.

Ao mesmo tempo, a área prevista para a primeira safra 2026/27 no Paraná é de aproximadamente 88,3 mil hectares, redução de 14% em relação à área colhida na temporada anterior.

Oferta deve continuar no centro das atenções

No curto prazo, a expectativa é de que a disponibilidade limitada de grãos de boa qualidade continue ajudando a sustentar os preços, principalmente do feijão-preto.

Para o carioca, o avanço da nova colheita em São Paulo poderá aumentar a oferta no mercado.

Já no Paraná, o ritmo do plantio e as condições do clima serão decisivos para definir a disponibilidade futura do produto.

Se a semeadura recuperar o atraso e as lavouras apresentarem bom desenvolvimento, a entrada da nova produção poderá alterar o equilíbrio atual entre oferta e preços.

*Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações da CNA, Cepea e Seab/Deral

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