FETAEP cobra recursos para merenda escolar e alerta para impacto na agricultura familiar do Paraná

Federação levou reivindicação à Assembleia Legislativa e reforçou importância das compras públicas para garantir alimentação aos estudantes e mercado para quem produz no campo

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A Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (FETAEP) cobrou atenção aos recursos destinados à alimentação escolar durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Paraná.

O encontro, realizado nesta terça-feira (27), discutiu o monitoramento do Plano Plurianual (PPA) do Estado e reuniu representantes do governo, parlamentares, servidores e entidades de classe.

Representando a agricultura familiar, o presidente da FETAEP, Alexandre Leal dos Santos, apresentou reivindicações do setor e chamou atenção para a necessidade de garantir recursos para a merenda escolar.

A preocupação envolve não apenas a alimentação dos estudantes, mas também milhares de agricultores familiares que encontram nas compras públicas um importante canal para comercializar a produção.

Merenda escolar também gera renda no campo

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) tem papel estratégico para a agricultura familiar.

Desde 2026, a legislação determina que pelo menos 45% dos recursos federais repassados pelo FNDE para o programa sejam destinados à compra direta de alimentos da agricultura familiar.

As aquisições são realizadas por meio de chamadas públicas e podem incluir frutas, verduras, legumes, leite, ovos, carnes, panificados e diversos outros produtos produzidos nas propriedades familiares.

Na prática, o programa aproxima quem produz de quem consome e cria um mercado com potencial para gerar renda e estimular a permanência das famílias no campo.

FETAEP pede atenção ao orçamento

A FETAEP defende que o planejamento orçamentário mantenha recursos capazes de atender às necessidades da alimentação escolar e das políticas de compras públicas.

A entidade considera o PNAE uma das ferramentas importantes para fortalecer a comercialização da agricultura familiar no Paraná.

A preocupação ganha peso porque a compra dos alimentos depende da existência de orçamento, planejamento das chamadas públicas e organização dos produtores para atender às quantidades, prazos e padrões exigidos.

Percentual mínimo aumentou para 45%

Até 2025, a legislação federal estabelecia que pelo menos 30% dos recursos federais do PNAE fossem utilizados na compra de alimentos da agricultura familiar.

Esse percentual foi ampliado para 45% a partir de 1º de janeiro de 2026.

A legislação também estabelece prioridades para assentamentos da reforma agrária, comunidades indígenas e quilombolas e grupos de mulheres e jovens agricultores.

A mudança ampliou o espaço potencial da agricultura familiar dentro da alimentação escolar brasileira.

Compra local fortalece municípios

Além de colocar alimentos produzidos por agricultores familiares nas escolas, o programa pode movimentar a economia dos próprios municípios.

Quando produtos são adquiridos de agricultores e organizações locais, parte do dinheiro público destinado à alimentação permanece circulando dentro da região.

Para pequenos produtores, as compras institucionais também podem representar maior previsibilidade para o planejamento da produção.

O desafio envolve organizar oferta, logística, documentação e regularidade das entregas para atender as chamadas públicas.

Audiência discutiu planejamento do Estado

A audiência na Assembleia Legislativa foi promovida pela Comissão de Orçamento para avaliar a execução do Plano Plurianual 2024-2027 e discutir prioridades para os próximos instrumentos orçamentários.

Representantes de diferentes setores apresentaram reivindicações e propostas que poderão subsidiar discussões sobre o orçamento e o planejamento estadual.

Para a agricultura familiar, a FETAEP reforçou que políticas públicas de comercialização, como a alimentação escolar, precisam permanecer entre as prioridades.

*Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações da FETAEP, Alep e FNDE

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