Malásia suspende importação de frango do Brasil após foco de Newcastle; medida atinge Paraná

País se junta ao México nas restrições que alcançam todo o território brasileiro; Arábia Saudita, China e Chile limitaram suspensões a Santa Catarina

Compartilhar

A Malásia suspendeu temporariamente as importações de carne, produtos cárneos e miúdos de aves provenientes de todo o Brasil após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma criação comercial de perus em Santa Catarina.

A atualização foi divulgada nesta quarta-feira (21) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e amplia os efeitos comerciais da ocorrência.

Como a restrição vale para todo o território brasileiro, produtos avícolas do Paraná também são atingidos pela medida, assim como já ocorre com a suspensão determinada pelo México.

O cenário merece atenção porque o Paraná é o maior produtor e exportador brasileiro de carne de frango.

México e Malásia restringem compras de todo o Brasil

Com a nova atualização, dois países mantêm suspensões que alcançam todo o território nacional.

A Malásia suspendeu a entrada de carne, produtos cárneos e miúdos de aves brasileiros.

Já o México mantém suspensas as importações de aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias, além de determinadas categorias de aves destinadas à comercialização e aves de companhia.

Essas medidas diferem das restrições adotadas por outros mercados, que optaram pela regionalização.

Arábia Saudita entra na lista, mas restrição fica limitada a SC

A Arábia Saudita também passou a integrar a lista de países que adotaram medidas após a ocorrência da doença de Newcastle.

Neste caso, porém, a suspensão envolve carne e produtos cárneos de aves provenientes apenas de Santa Catarina.

O mesmo ocorre com a China, que restringiu carne e produtos cárneos de aves catarinenses.

O Chile também mantém a restrição limitada a Santa Catarina para produtos como ovos férteis, ovos SPF, pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves, ovos para consumo humano e produtos cárneos contendo carne fresca de aves.

Dessa forma, as restrições anunciadas por Arábia Saudita, China e Chile não alcançam, neste momento, os produtos paranaenses, conforme a atualização divulgada pelo Mapa.

Paraná acompanha situação com atenção

A ampliação das restrições internacionais ganha peso especial no Paraná.

De janeiro a agosto de 2026, o Estado exportou aproximadamente 1,605 milhão de toneladas de carne de frango, crescimento de 20,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

As vendas movimentaram mais de US$ 3 bilhões, alta de 23,5%.

O Paraná respondeu por cerca de 42% do volume brasileiro exportado no período, mantendo a liderança nacional.

Entre janeiro e setembro, somente a carne de frango in natura já movimentou US$ 3,3 bilhões nas exportações paranaenses, equivalente a 17,5% de tudo o que o Estado vendeu para o Exterior.

Por isso, restrições que abrangem todo o Brasil têm reflexos diretos sobre uma das principais cadeias produtivas da economia paranaense.

Foco está em Santa Catarina

O foco da doença de Newcastle foi identificado em uma propriedade comercial de criação de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina.

Desde a confirmação, autoridades sanitárias adotaram medidas de contenção e erradicação, incluindo despovoamento, limpeza e desinfecção do estabelecimento afetado e monitoramento de propriedades localizadas na região.

Não há confirmação de foco da doença em estabelecimento comercial no Paraná.

O Mapa continua mantendo contato com autoridades sanitárias dos países compradores para apresentar informações sobre a ocorrência e as medidas adotadas pelo Brasil.

O objetivo é avançar nas negociações para a retirada das restrições conforme a evolução da situação sanitária.

Produtos inspecionados continuam seguros

Apesar das medidas comerciais adotadas pelos países importadores, o Ministério da Agricultura reforça que produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanecem seguros para consumo.

As aves da propriedade onde a doença foi detectada não serão destinadas à produção de alimentos.

As restrições internacionais estão relacionadas principalmente às regras de sanidade animal e comércio exterior, e não a um risco associado ao consumo de carne e outros produtos inspecionados.

*Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do Mapa e da Seab/Deral

Leia mais

Notícias Relacionadas