Um queijo premiado acabou abrindo uma nova fonte de renda para uma família do Sudoeste do Paraná.
Depois de conquistar a medalha Super Ouro no Prêmio Queijos do Paraná, a Queijaria Irmão Queijeiro, de Chopinzinho, viu crescer a procura pelos produtos e decidiu incorporar o turismo rural ao negócio.
A propriedade tem apenas 1,7 alqueire, a produção é artesanal e toda a mão de obra é familiar.
Agora, além de comprar os queijos, os visitantes podem conhecer o caminho completo do produto, desde o manejo das pastagens e criação dos animais até a ordenha e a fabricação.
Premiação aumentou procura pela propriedade
O ponto de virada aconteceu em 2025.
O queijo Colonial Maturado ao Vinho conquistou a medalha Super Ouro na segunda edição do Prêmio Queijos do Paraná, promovido pelo Sistema FAEP.

escala e a mão de obra é totalmente familiar | foto Sistema FAEP/Divulgação
O reconhecimento levou o nome da pequena queijaria para além de Chopinzinho e aumentou a procura de consumidores.
Segundo a proprietária, Giovana Karina Gregolon, a família percebeu a necessidade de ampliar a estrutura.
“Sentimos necessidade de ampliar a estrutura para melhor atender os turistas que procuram nossos produtos.”
A propriedade passou a contar com espaço para eventos, recepção de grupos, degustações e experiências relacionadas à história da família e à produção dos queijos.
Turista acompanha do pasto até o queijo
A proposta é transformar a própria rotina da propriedade em uma experiência.
Quem visita o local pode conhecer as pastagens, os animais, a ordenha e a fabricação artesanal dos queijos.
O turismo rural acrescenta, assim, uma nova atividade econômica sem abandonar aquilo que deu origem ao negócio.
Para a família, é também uma maneira de aproximar o consumidor de quem produz e mostrar o trabalho existente antes de o queijo chegar à mesa.
Queijo premiado une leite e vinho do Sudoeste
O produto responsável por ampliar a visibilidade da queijaria também carrega características da própria região.
O Colonial Maturado ao Vinho é produzido com leite cru obtido exclusivamente dos animais da propriedade.
Depois, passa por maturação com vinho colonial produzido no Sudoeste do Paraná.
A combinação reforça uma identidade ligada ao território, unindo duas produções tradicionais da região.
Produção continua pequena e familiar
Mesmo depois do aumento da procura, a família optou por manter a produção artesanal em pequena escala.

Todo o leite utilizado nos queijos é proveniente dos animais criados na própria propriedade.
“Temos uma propriedade pequena e nossa mão de obra é totalmente familiar. Isso limita a ampliação da produção, mas também garante a qualidade do produto.”
Para Giovana, trabalhar com queijo artesanal de leite cru exige ainda mais cuidado.
“Produzir queijo já é uma arte. Produzir queijo artesanal de leite cru é uma arte ainda maior. Hoje, olhar para trás mostra que sonhar vale a pena.”
Prêmio Queijos do Paraná cresceu 64%
A própria premiação que deu visibilidade à família também vem crescendo.
Na primeira edição, realizada em 2023, foram 291 queijos inscritos.
Em 2025, o número chegou a 477, crescimento de 64%.
Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, uma das funções do prêmio é justamente dar visibilidade aos produtos paranaenses de qualidade e fortalecer a cadeia produtiva.
A terceira edição já está em andamento e a expectativa é ultrapassar 600 produtos inscritos.
Outra novidade será o primeiro Concurso Queijo Colonial do Paraná, específico para essa categoria tradicional, com projeção de aproximadamente 100 inscrições.
Os premiados serão conhecidos nos dias 2 e 3 de junho de 2027, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
Medalha virou oportunidade de negócio
O caso da Irmão Queijeiro mostra que uma premiação pode gerar efeitos além das vendas do produto.
A medalha trouxe visibilidade. A visibilidade aumentou o número de pessoas procurando a propriedade. E essa demanda criou espaço para uma nova atividade: receber o consumidor dentro do próprio meio rural.
Para uma pequena propriedade familiar, a combinação entre queijo artesanal e turismo permite agregar valor sem necessariamente aumentar de forma expressiva o volume produzido.
Em Chopinzinho, um queijo premiado acabou mostrando que o produtor pode vender não apenas aquilo que produz, mas também a história, a origem e a experiência por trás do alimento.
Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do Sistema FAEP
