Mesmo com a Medida Provisória 1.376/2026 em vigor, produtores rurais do Paraná relatam dificuldades para renegociar dívidas e recuperar o acesso ao crédito.
Levantamento do Sistema FAEP ouviu representantes de Guarapuava, São Mateus do Sul, Maringá e Guamiranga. Os relatos apontam pedidos parados, poucos produtores enquadrados, exigência de novas garantias e condições financeiras consideradas inviáveis.
O prazo para adesão ao programa termina em 12 de novembro.
“O sistema não está funcionando”
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, cobra mudanças urgentes na implementação da medida.
“Já passou muito tempo da publicação da MP e o sistema não está funcionando.”
A FAEP se mobilizou com a Frente Parlamentar da Agropecuária e mais de 40 entidades para pedir ajustes no programa.
Entre as reivindicações estão critérios nacionais mais claros, simplificação da comprovação de perdas, flexibilização da entrada exigida e garantia de que a renegociação não impeça o produtor de contratar crédito para continuar produzindo.
Em Guarapuava, quase ninguém consegue entrar
Em Guarapuava, o presidente do Sindicato Rural, Rodolpho Botelho, relata que apenas um produtor de uma agência conseguiu se enquadrar.
Um dos entraves é a exigência de inadimplência até 31 de maio, enquanto muitos custeios vencem somente em junho, julho ou agosto.
Também há reclamações sobre o limite de R$ 4 milhões por operação e sobre propostas de renegociação com juros de 18% a 19%, além da exigência de garantias adicionais.
São Mateus do Sul tem cerca de 12% das propostas aceitas
Em São Mateus do Sul, o presidente do Sindicato Rural, Marcos Pires, estima que apenas cerca de 12% das propostas de prorrogação encaminhadas aos bancos foram aceitas.
Segundo ele, há casos de CPRs com propostas de juros entre 18% e 20% ao ano, além de produtores aguardando respostas das instituições financeiras.
Maringá e Guamiranga também relatam dificuldades
Em Maringá, o Sindicato Rural aponta demora na análise dos processos mesmo depois da entrega dos documentos exigidos.
Já em Guamiranga, produtores enfrentam dificuldades para conseguir laudos de perdas de safra e documentação contábil. Há também casos em que o agricultor possui os laudos, mas não atende ao período de inadimplência exigido pela medida.
Para a FAEP, o problema ganha urgência porque produtores endividados precisam de custeio para manter a atividade e implantar a nova safra, enquanto o prazo da renegociação continua correndo.
Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do Sistema FAEP
