Feijão carioca perde força nos preços e acende alerta para produtores do Paraná

Avanço da colheita aumenta a oferta no país e derruba cotações; no Paraná, cultura ganhou espaço nesta segunda safra

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O avanço da colheita da terceira safra aumentou a oferta de feijão carioca no mercado brasileiro e manteve pressão sobre os preços no início de agosto. Segundo o Indicador Cepea/CNA, entre 30 de julho e 6 de agosto, as cotações do produto de melhor qualidade recuaram, em média, 9,55% nas nove praças acompanhadas.

O movimento merece atenção dos produtores do Paraná. Na segunda safra deste ano, o feijão de cores — grupo formado majoritariamente pelo carioca — havia registrado expansão de 3% na área plantada no estado, segundo dados citados pelo Deral.

Mais oferta pressiona o mercado

De acordo com a CNA, o avanço da colheita, especialmente nas áreas irrigadas do Cerrado, colocou mais produto no mercado e aumentou a pressão sobre as cotações.

No feijão carioca de peneira 12 e nota 9 ou superior, a queda média foi de 9,55%. Para os lotes de notas 8 e 8,5, a retração média chegou a 7,43% nas praças monitoradas.

Com as margens menores, parte dos vendedores passou a avaliar o armazenamento da produção. Ainda assim, a necessidade de caixa continua levando produto ao mercado e ajudando a manter a pressão sobre os preços.

Paraná ampliou espaço do carioca

O cenário ganha relevância no Paraná porque o feijão carioca avançou dentro da segunda safra.

Em boletim divulgado em abril, o Deral informou que o grupo de feijões de cores, majoritariamente carioca, havia ampliado em 3% a área cultivada. Naquele momento, o órgão também apontava que os preços recebidos pelos produtores ajudavam a explicar esse movimento.

Apesar desse avanço, o feijão-preto continuava predominante no estado, ocupando cerca de dois terços da área da segunda safra.

Feijão preto segue caminho diferente

Enquanto o carioca enfrenta pressão, o feijão preto apresenta mercado mais firme.

Segundo o Cepea/CNA, os preços do preto tipo 1 avançaram, em média, 1,37% entre 30 de julho e 6 de agosto, sustentados pela menor oferta doméstica na entressafra.

As importações, principalmente da Argentina, continuam ajudando a complementar o abastecimento brasileiro.

Exportação bate recorde, mas efeito é limitado

As exportações brasileiras de feijão atingiram 106,82 mil toneladas em julho, o maior volume mensal da série histórica iniciada em 1997. A Índia respondeu por 81,8% dos embarques.

Apesar do recorde, a CNA destaca que a maior parte das vendas externas envolve variedades destinadas ao mercado asiático. Por isso, o efeito sobre a oferta interna de feijão carioca e preto é mais limitado.

Para o produtor paranaense, o momento exige atenção à comercialização. Com mais produto chegando ao mercado, a decisão entre vender, armazenar ou esperar uma reação nas cotações pode ter peso direto na margem da propriedade.

Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Cepea e Departamento de Economia Rural (Deral/Seab-PR)

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