Agro fatura US$ 87 bilhões e dribla tarifas dos EUA; soja, milho e carnes puxam alta

Exportações do agronegócio cresceram 6,2% no primeiro semestre de 2026, mesmo com guerras, frete mais caro e queda de 25% nas vendas aos Estados Unidos; maior volume embarcado compensou parte das dificuldades internacionais

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O agronegócio brasileiro faturou US$ 87 bilhões com exportações no primeiro semestre de 2026, crescimento de 6,2% em relação ao mesmo período do ano passado, mesmo diante de um cenário internacional marcado por conflitos, aumento dos custos logísticos e novas barreiras comerciais.

O levantamento é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Cepea, da Esalq/USP, com base em dados oficiais do comércio exterior brasileiro.

O principal responsável pelo avanço foi o aumento da quantidade de produtos enviada para fora do país. O volume exportado pelo agro cresceu 7,5%, enquanto o preço médio recebido em dólar caiu 1,2%.

Milho cresce 22% e carne de frango avança 14%

Alguns dos principais produtos do agronegócio brasileiro registraram forte aumento nas vendas externas.

O maior avanço entre os produtos destacados pelo Cepea ocorreu no óleo de soja, com crescimento de 30% no volume exportado.

Na sequência aparecem:

Milho: +22%
Algodão: +21%
Carne bovina: +15%
Carne de frango: +14%
Farelo de soja: +11%
Carne suína: +10%
Soja em grão: +7%

O desempenho reforça a força justamente de cadeias com grande presença no campo brasileiro, como grãos e carnes.

China responde por 35% do faturamento

A China continuou sendo o principal destino dos produtos brasileiros.

No primeiro semestre, a receita obtida com as vendas do agro para o mercado chinês ficou 10% acima da registrada no mesmo período de 2025.

O país asiático respondeu por 35% de todo o faturamento das exportações brasileiras do agronegócio, com compras superiores a US$ 30 bilhões.

Do valor gasto pelos chineses, 66% foi destinado a produtos do complexo da soja.

A China também recebeu quase 70% de todo o volume de soja em grão exportado pelo Brasil no período.

Na carne bovina, o mercado chinês respondeu por 53% das vendas externas brasileiras do produto.

União Europeia aparece em segundo lugar

A União Europeia foi o segundo principal mercado do agro brasileiro no primeiro semestre de 2026.

Considerando os 27 países do bloco, os europeus responderam por 14,5% do faturamento em dólar das exportações brasileiras do setor.

Entre os produtos brasileiros mais comprados pela União Europeia estão café, farelo de soja, carne de frango, frutas e suco de laranja.

O dado ganha importância em um momento em que o setor acompanha novas exigências europeias relacionadas ao uso de agentes antimicrobianos na produção animal.

Estados Unidos compraram 25% menos

Enquanto China, União Europeia e outros mercados ampliaram as compras, os Estados Unidos seguiram caminho contrário.

O faturamento brasileiro com exportações do agro para os norte-americanos caiu 25% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.

A participação dos Estados Unidos entre os principais compradores também diminuiu.

Produtos atingidos pelas novas tarifas foram os que mais perderam espaço.

No setor de madeira, por exemplo, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 42% para 29%.

No suco de laranja, a participação passou de 44% para 34%. No etanol, caiu de 28% para 21%.

Segundo o levantamento, o crescimento das vendas para outros destinos conseguiu compensar a retração do mercado norte-americano.

Mais exportação, mas menos dinheiro em reais

Apesar do recorde em dólares, existe um detalhe importante para entender o resultado dentro do Brasil.

A moeda brasileira se valorizou em relação ao dólar durante o período.

Principais destinos das exportações do agronegócio brasileiro em 2026 – resultado acumulado de janeiro até junho,
de acordo com participação no faturamento em dólar.

Fonte: Cepea-Esalq/USP; com base em dados da Secretaria de Comercio Exterior do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria, Comércio e Serviços (Secex-MIDC) e Agrostat (Mapa)

O índice de câmbio real calculado pelo Cepea apresentou valorização de 10,8% no primeiro semestre, na comparação com o mesmo período de 2025.

Com isso, os preços convertidos para reais caíram 12%.

O resultado foi que, mesmo com o faturamento em dólar crescendo 6,2%, a receita das exportações convertida para reais e descontada a inflação apresentou queda de 5,2%.

Ou seja, vender mais para o exterior não necessariamente significou um crescimento equivalente da receita quando o dinheiro retornou para o país.

Guerras e logística continuam no radar do agro

O cenário internacional segue trazendo riscos.

Entre os principais problemas apontados pelo Cepea estão o aumento dos preços dos fretes, dificuldades logísticas internacionais e os impactos dos conflitos envolvendo Irã e Ucrânia.

O fechamento do Estreito de Ormuz também entrou no radar do setor.

A região tem importância para o agronegócio brasileiro porque os países do Golfo compraram mais de 20% de toda a carne de frango exportada pelo Brasil no primeiro semestre.

Apesar das dificuldades na navegação, as vendas brasileiras para a maioria dos países do Golfo aumentaram durante o período.

A maior preocupação passa também pelo custo e pela disponibilidade de insumos utilizados na produção agropecuária.

Segundo semestre terá China e União Europeia no centro das atenções

Para os próximos meses, dois temas aparecem entre os principais riscos para o setor de carnes.

Um deles é a cota chinesa para a carne bovina brasileira.

Como a China compra mais da metade da carne bovina exportada pelo país, eventuais limitações de acesso ao mercado podem afetar significativamente o setor.

O segundo ponto são as restrições da União Europeia relacionadas ao uso de antimicrobianos, que também podem interferir no comércio brasileiro de carnes.

Mesmo assim, as projeções citadas pelo Cepea indicam que a oferta mundial de produtos agropecuários deve permanecer em bons níveis nos próximos meses, apesar dos desafios climáticos e geopolíticos.

Para o produtor, cooperativas e agroindústrias, o primeiro semestre deixa um recado claro: o Brasil continua aumentando a quantidade de alimentos vendida ao mundo, mas câmbio, tarifas, logística e acesso aos grandes mercados serão decisivos para transformar esse crescimento em renda dentro do país.

Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do Cepea/Esalq-USP

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