O veto da União Europeia a produtos de origem animal do Brasil pode atingir mais de US$ 392,2 milhões por ano em exportações da pecuária paranaense, considerando apenas as vendas de carne de frango e carne bovina realizadas pelo Estado ao bloco europeu em 2025.
No ano passado, o Paraná vendeu para os países da União Europeia US$ 382 milhões em carne de frango, equivalentes a 118,7 mil toneladas. A carne bovina respondeu por outros US$ 10,2 milhões, com 1,4 mil toneladas embarcadas.
Frango concentra maior risco para o Paraná
O impacto potencial está fortemente concentrado na avicultura.
O Paraná é líder nacional na produção e exportação de carne de frango e comercializa o produto para mais de 150 países.
Por isso, embora o veto europeu alcance diferentes produtos brasileiros, a cadeia paranaense de aves aparece como a mais exposta dentro do Estado.
Só neste ano, vendas já passam de US$ 228 milhões
Os números de 2026 mostram que o mercado europeu continua relevante para o Paraná.
Somente no primeiro semestre, o Estado exportou aproximadamente US$ 224 milhões em carne de frango para a União Europeia, totalizando 78,7 mil toneladas.
No caso da carne bovina, foram US$ 4,6 milhões, correspondentes a 643 toneladas.
Somados, os dois segmentos movimentaram cerca de US$ 228,6 milhões em apenas seis meses.
Atualmente, a União Europeia representa aproximadamente 5% do mercado externo de carnes do Paraná.
FAEP alerta que Europa funciona como vitrine para outros mercados
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destaca que o peso da União Europeia vai além do volume diretamente comprado pelo bloco.
“Muitos países tomam como base o atendimento às exigências sanitárias da UE para tomar suas próprias decisões.”
Segundo Meneguette, quando o Brasil consegue comprovar o atendimento às exigências europeias, isso também facilita o acesso a outros compradores internacionais.
“Portanto, precisamos manter nossos produtos no mercado europeu, pois é uma importante vitrine para o agro brasileiro e paranaense.”
Restrição vai além da carne
A suspensão anunciada pela União Europeia alcança determinados produtos brasileiros de origem animal.
Além de carne bovina e carne de frango, a relação inclui mel, equinos, tripas e produtos ligados à aquicultura.
A questão está relacionada ao atendimento das regras europeias para o uso de antimicrobianos na produção animal.
Sistema FAEP já havia cobrado providências
A preocupação do setor paranaense não começou agora.
Em 9 de junho, o Sistema FAEP encaminhou ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária solicitando medidas para evitar a suspensão das importações.
A entidade argumenta que o Brasil possui um sistema sanitário robusto e destaca o histórico sanitário do Paraná.
O Estado é reconhecido oficialmente pela Organização Mundial de Saúde Animal como área livre de febre aftosa sem vacinação desde 2021. O Brasil obteve o mesmo reconhecimento em 2025.
Auditoria pode acelerar retorno do frango
Apesar do impacto imediato, existe expectativa de uma solução mais rápida para a carne de frango.
Técnicos da União Europeia estão no Brasil desde 24 de agosto, realizando auditorias em propriedades e avaliando sistemas de produção, processamento e fiscalização relacionados à carne de frango e ao mel.
A expectativa do Sistema FAEP é que a fiscalização comprove o cumprimento das exigências sobre antimicrobianos e abra caminho para a retirada do veto sobre o frango brasileiro.
“São muitos fatores em jogo, mas a nossa expectativa central permanece voltada para a rápida superação das exigências sanitárias e a retomada das exportações para o mercado europeu”, afirma Ágide Eduardo Meneguette.
Veto preocupa por efeito direto e pela imagem no mercado
A União Europeia responde por uma parcela menor das exportações totais de carnes do Paraná quando comparada a outros grandes destinos.
Mas o impacto comercial potencial de US$ 392,2 milhões anuais mostra que o mercado está longe de ser irrelevante.
Além disso, como destacado pelo Sistema FAEP, o cumprimento das exigências europeias pode servir como referência sanitária para outros países compradores.
Por isso, a preocupação do setor não está apenas no volume que deixa de seguir para a Europa durante a restrição, mas também na necessidade de preservar o acesso do Paraná a diferentes mercados internacionais.
Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do Sistema FAEP e Agrostat/Mapa
