Tarifa dos EUA derruba exportações de ovos, mas Paraná ainda cresce no ano

Compras norte-americanas despencaram mais de 99% em 2026 e puxaram para baixo os embarques brasileiros; Paraná perdeu força em julho, mas ainda acumula alta de 4,7% no volume e 22,8% na receita

Compartilhar

As exportações brasileiras de ovos e ovoprodutos perderam força em 2026, pressionadas principalmente pelo praticamente desaparecimento dos Estados Unidos como destino das vendas nacionais.

Entre janeiro e julho, o Brasil exportou 28.254 toneladas do chamado complexo ovos, queda de 28,8% em relação ao mesmo período de 2025.

A receita também recuou, passando de US$ 123,8 milhões para US$ 112,2 milhões, redução de 9,3%.

No Paraná, porém, o resultado acumulado ainda é positivo. O Estado embarcou 4.040 toneladas nos primeiros sete meses do ano, crescimento de 4,7%, e faturou US$ 23,5 milhões, alta de 22,8%.

Julho trouxe forte queda para o Paraná

Apesar do saldo positivo no acumulado do ano, julho mostrou uma mudança importante no ritmo das exportações paranaenses.

O Paraná embarcou 292 toneladas de ovoprodutos no mês, volume 36,5% inferior às 460 toneladas exportadas em julho de 2025.

A receita caiu de US$ 2,439 milhões para US$ 1,641 milhão, retração de 32,7%.

O movimento acompanhou a desaceleração registrada no País.

Em julho, o Brasil exportou 3.980 toneladas, queda de 35,8% na comparação anual.

O faturamento mensal ficou em US$ 15,514 milhões, redução de 11,8%.

Paraná aparece entre os maiores exportadores do País

No acumulado de janeiro a julho, São Paulo manteve a liderança nacional, com 9.088 toneladas exportadas e receita de US$ 46,873 milhões.

Minas Gerais aparece na sequência, com 4.903 toneladas.

O Paraná ocupa a terceira posição, com 4.040 toneladas, praticamente empatado em volume com o Rio Grande do Sul, que exportou 4.017 toneladas.

O desempenho paranaense chama atenção porque, enquanto o mercado nacional encolheu, o Estado conseguiu registrar crescimento tanto em volume quanto em faturamento no acumulado do ano.

Estados Unidos praticamente deixaram de comprar

A principal explicação para a queda brasileira está no mercado norte-americano.

Entre janeiro e julho de 2025, os Estados Unidos haviam comprado 18.998 toneladas de ovoprodutos brasileiros, movimentando US$ 40,756 milhões.

No mesmo período de 2026, as compras despencaram para apenas 126 toneladas.

A receita caiu para pouco mais de US$ 101 mil.

Isso representa uma retração superior a 99% tanto em volume quanto em faturamento.

Tarifa interrompeu avanço em mercado estratégico

O recuo começou depois da mudança na política comercial dos Estados Unidos.

Em julho de 2025, o governo norte-americano anunciou uma tarifa adicional de 50% sobre diversos produtos brasileiros, com aplicação a partir de agosto daquele ano.

A medida atingiu a avicultura de postura justamente quando os Estados Unidos buscavam ampliar as compras de ovos brasileiros para enfrentar problemas de abastecimento provocados por surtos de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade, a H5N1.

Posteriormente, parte dos produtos brasileiros deixou de sofrer a sobretaxa, mas os ovos permaneceram sob o regime tarifário restritivo.

O resultado foi uma ruptura praticamente completa das vendas brasileiras para aquele mercado.

Chile assume liderança entre os compradores

Com o recuo dos Estados Unidos, outros mercados ganharam importância.

O Chile passou a ser o principal comprador dos ovoprodutos brasileiros entre janeiro e julho de 2026.

Foram 7.553 toneladas adquiridas, crescimento de 206,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

A receita chegou a US$ 15,966 milhões, alta de 128,4%.

Na sequência aparecem México, Senegal, Emirados Árabes Unidos e Japão.

Exportação do Paraná cresce mesmo com cenário nacional ruim

O desempenho acumulado do Paraná mostra uma situação diferente da média brasileira.

Enquanto o País perdeu 28,8% do volume exportado nos sete primeiros meses, o Estado conseguiu aumentar os embarques em 4,7%.

A receita paranaense avançou ainda mais, com crescimento de 22,8%.

O resultado, porém, contrasta com a forte queda registrada em julho e indica que o setor precisará acompanhar os próximos meses para saber se a retração mensal foi pontual ou o início de uma tendência mais duradoura.

Ovos férteis e ovos com casca seguem em destaque

O chamado complexo ovos inclui diferentes produtos.

Entre eles estão ovos férteis para incubação, pintos, ovos frescos com casca, ovos cozidos, produtos secos, gemas e ovoalbumina.

Os ovos férteis e os ovos frescos com casca permanecem entre os principais itens da pauta exportadora brasileira.

Com os Estados Unidos praticamente fora das compras, a capacidade de conquistar e ampliar mercados como Chile, México, países da África, Oriente Médio e Ásia passa a ser ainda mais importante para sustentar as exportações brasileiras.

Fonte técnica: Boletim Conjuntural do Deral, Semana 36/2026, análise do médico-veterinário Roberto Carlos Andrade e Silva.

Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do Deral/Seab e Agrostat/Mapa

Leia mais

Notícias Relacionadas