As exportações brasileiras de ovos e ovoprodutos perderam força em 2026, pressionadas principalmente pelo praticamente desaparecimento dos Estados Unidos como destino das vendas nacionais.
Entre janeiro e julho, o Brasil exportou 28.254 toneladas do chamado complexo ovos, queda de 28,8% em relação ao mesmo período de 2025.
A receita também recuou, passando de US$ 123,8 milhões para US$ 112,2 milhões, redução de 9,3%.
No Paraná, porém, o resultado acumulado ainda é positivo. O Estado embarcou 4.040 toneladas nos primeiros sete meses do ano, crescimento de 4,7%, e faturou US$ 23,5 milhões, alta de 22,8%.
Julho trouxe forte queda para o Paraná
Apesar do saldo positivo no acumulado do ano, julho mostrou uma mudança importante no ritmo das exportações paranaenses.
O Paraná embarcou 292 toneladas de ovoprodutos no mês, volume 36,5% inferior às 460 toneladas exportadas em julho de 2025.
A receita caiu de US$ 2,439 milhões para US$ 1,641 milhão, retração de 32,7%.
O movimento acompanhou a desaceleração registrada no País.
Em julho, o Brasil exportou 3.980 toneladas, queda de 35,8% na comparação anual.
O faturamento mensal ficou em US$ 15,514 milhões, redução de 11,8%.
Paraná aparece entre os maiores exportadores do País
No acumulado de janeiro a julho, São Paulo manteve a liderança nacional, com 9.088 toneladas exportadas e receita de US$ 46,873 milhões.
Minas Gerais aparece na sequência, com 4.903 toneladas.
O Paraná ocupa a terceira posição, com 4.040 toneladas, praticamente empatado em volume com o Rio Grande do Sul, que exportou 4.017 toneladas.
O desempenho paranaense chama atenção porque, enquanto o mercado nacional encolheu, o Estado conseguiu registrar crescimento tanto em volume quanto em faturamento no acumulado do ano.
Estados Unidos praticamente deixaram de comprar
A principal explicação para a queda brasileira está no mercado norte-americano.
Entre janeiro e julho de 2025, os Estados Unidos haviam comprado 18.998 toneladas de ovoprodutos brasileiros, movimentando US$ 40,756 milhões.
No mesmo período de 2026, as compras despencaram para apenas 126 toneladas.
A receita caiu para pouco mais de US$ 101 mil.
Isso representa uma retração superior a 99% tanto em volume quanto em faturamento.
Tarifa interrompeu avanço em mercado estratégico
O recuo começou depois da mudança na política comercial dos Estados Unidos.
Em julho de 2025, o governo norte-americano anunciou uma tarifa adicional de 50% sobre diversos produtos brasileiros, com aplicação a partir de agosto daquele ano.
A medida atingiu a avicultura de postura justamente quando os Estados Unidos buscavam ampliar as compras de ovos brasileiros para enfrentar problemas de abastecimento provocados por surtos de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade, a H5N1.
Posteriormente, parte dos produtos brasileiros deixou de sofrer a sobretaxa, mas os ovos permaneceram sob o regime tarifário restritivo.
O resultado foi uma ruptura praticamente completa das vendas brasileiras para aquele mercado.
Chile assume liderança entre os compradores
Com o recuo dos Estados Unidos, outros mercados ganharam importância.
O Chile passou a ser o principal comprador dos ovoprodutos brasileiros entre janeiro e julho de 2026.
Foram 7.553 toneladas adquiridas, crescimento de 206,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
A receita chegou a US$ 15,966 milhões, alta de 128,4%.
Na sequência aparecem México, Senegal, Emirados Árabes Unidos e Japão.
Exportação do Paraná cresce mesmo com cenário nacional ruim
O desempenho acumulado do Paraná mostra uma situação diferente da média brasileira.
Enquanto o País perdeu 28,8% do volume exportado nos sete primeiros meses, o Estado conseguiu aumentar os embarques em 4,7%.
A receita paranaense avançou ainda mais, com crescimento de 22,8%.
O resultado, porém, contrasta com a forte queda registrada em julho e indica que o setor precisará acompanhar os próximos meses para saber se a retração mensal foi pontual ou o início de uma tendência mais duradoura.
Ovos férteis e ovos com casca seguem em destaque
O chamado complexo ovos inclui diferentes produtos.
Entre eles estão ovos férteis para incubação, pintos, ovos frescos com casca, ovos cozidos, produtos secos, gemas e ovoalbumina.
Os ovos férteis e os ovos frescos com casca permanecem entre os principais itens da pauta exportadora brasileira.
Com os Estados Unidos praticamente fora das compras, a capacidade de conquistar e ampliar mercados como Chile, México, países da África, Oriente Médio e Ásia passa a ser ainda mais importante para sustentar as exportações brasileiras.
Fonte técnica: Boletim Conjuntural do Deral, Semana 36/2026, análise do médico-veterinário Roberto Carlos Andrade e Silva.
Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do Deral/Seab e Agrostat/Mapa
