Os preços do milho continuam em patamares elevados em boa parte das regiões produtoras brasileiras, mesmo com a colheita da segunda safra chegando à reta final.
Segundo o Cepea, um dos principais fatores de sustentação é a retração dos vendedores, que estão colocando menos lotes no mercado enquanto acompanham o início da safra de verão 2026/27 e os possíveis impactos do El Niño.
As cotações internacionais mais altas também ajudam a segurar os preços no Brasil ao elevar a paridade de exportação.
Produtor segura milho e reduz oferta no mercado
Mesmo com a segunda safra chegando ao fim, a disponibilidade de milho para negociação não aumentou na intensidade que poderia pressionar as cotações.
Produtores permanecem mais cautelosos nas vendas e parte deles prefere aguardar melhores oportunidades de comercialização.
Esse comportamento limita a oferta no mercado spot e continua dando sustentação aos preços.
No último fechamento disponível antes do feriado, em 4 de setembro, o Indicador do Milho ESALQ/BM&FBovespa estava em R$ 70,93 por saca de 60 quilos.
Preço internacional também ajuda o milho brasileiro
Outro fator importante vem do mercado externo.
A valorização internacional do cereal aumenta a paridade de exportação, tornando as vendas externas mais competitivas e criando uma referência de preço mais elevada para o mercado doméstico.
Essa combinação entre produtor retraído e cenário externo favorável ajuda a explicar por que o milho continua valorizado mesmo em um período de conclusão da colheita da segunda safra.
Paraná já colocou máquinas no campo
Enquanto o mercado acompanha os preços, o Paraná já iniciou efetivamente a primeira safra de milho 2026/27.
Na última atualização do Deral, 18% dos 373 mil hectares previstos já estavam plantados, o equivalente a mais de 67 mil hectares.
O avanço ocorreu depois de semanas com chuvas regulares e condições favoráveis para a entrada das máquinas.
O ritmo estava dentro do calendário considerado adequado pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).
Sul do Paraná concentra grande parte da safra
A primeira safra de milho paranaense está fortemente concentrada nas regiões mais ao Sul.
Essa porção do Estado responde por mais de 57% da área prevista, seguida pelo Sudoeste, com pouco mais de 24%.
Ponta Grossa aparece como a principal região produtora, com aproximadamente 72,8 mil hectares, enquanto Guarapuava deve plantar pouco mais de 59 mil hectares.
El Niño passa a pesar nas decisões
Se o início do plantio foi favorecido pela chuva, o comportamento do clima daqui para frente será decisivo.
O Cepea destaca que produtores estão atentos aos possíveis efeitos do El Niño na temporada 2026/27.
Para o Paraná, a preocupação não está apenas em ter chuva suficiente.
A frequência elevada das precipitações pode diminuir as janelas para plantio, aplicações e outros manejos, principalmente em um momento em que as lavouras de verão começam a ocupar o campo.
O desafio será encontrar equilíbrio entre umidade suficiente para o estabelecimento das plantas e períodos de tempo firme para realizar as operações agrícolas.
Mercado passa a olhar preço e nova safra ao mesmo tempo
As próximas semanas colocam dois movimentos importantes lado a lado.
De um lado, o milho disponível continua valorizado, sustentado pela menor disposição dos produtores para vender e pelo mercado internacional.
Do outro, começa a ser implantada a safra que vai abastecer o mercado mais adiante.
No Paraná, o avanço do plantio e o comportamento das chuvas serão acompanhados de perto porque podem influenciar tanto o potencial produtivo quanto as decisões de comercialização dos produtores.
Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do Cepea/Esalq-USP e Deral/Seab
