Cevada ganha 23% de área no Paraná, mas excesso de umidade ameaça produtividade

Estado ampliou o cultivo para 130 mil hectares, porém queda nas condições das lavouras e previsão de primavera mais úmida colocam rendimento sob pressão

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A safra de cevada do Paraná começou a ser colhida em meio a um cenário de atenção com o clima. Até esta semana, 4% dos 130 mil hectares cultivados haviam sido colhidos, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).

O ritmo está próximo ao registrado no mesmo período da safra passada, quando a colheita alcançava 6%, e por enquanto não indica atraso significativo.

A preocupação está no que acontece antes de as máquinas entrarem nas áreas restantes: dias nublados, temperaturas mais baixas e excesso de umidade começaram a piorar as condições das lavouras.

Lavouras boas caem de 86% para 80%

Em apenas uma semana, a proporção de áreas de cevada classificadas em boas condições caiu de 86% para 80%.

Ao mesmo tempo, as lavouras consideradas em condição média passaram de 14% para 20%.

Segundo o engenheiro-agrônomo C. Hugo W. Godinho, do Deral, as áreas em estágio reprodutivo já começam a sentir os efeitos do excesso de umidade.

A comparação com o ano passado também mostra uma situação menos favorável.

No mesmo período de 2025, 90% das lavouras estavam em boas condições e apenas 10% eram classificadas como médias.

Produtividade recorde fica mais difícil

Com a deterioração observada nas últimas semanas, o Deral considera improvável repetir o rendimento de 4.736 quilos por hectare alcançado na safra passada.

O clima durante a maturação e a colheita será determinante para definir o tamanho da perda de produtividade.

O ponto positivo está na expansão da área cultivada.

Área plantada cresceu 23%

A cevada ocupa 130 mil hectares no Paraná nesta temporada, contra 106 mil hectares em 2025.

Isso representa crescimento de 23% na área semeada.

A expansão pode compensar parte de uma eventual redução no rendimento e permitir que a produção total fique acima das 500 mil toneladas obtidas no ciclo anterior.

Esse resultado, porém, depende diretamente de uma melhora das condições meteorológicas justamente quando a colheita ganhar velocidade.

Outubro e novembro serão decisivos

O pico dos trabalhos está previsto para outubro e novembro.

Por isso, uma sequência de períodos chuvosos durante a primavera poderia dificultar a entrada das máquinas, prolongar a permanência dos grãos maduros no campo e aumentar a pressão sobre a qualidade das lavouras.

O Deral aponta o El Niño como principal fator de incerteza para os próximos meses.

Segundo a análise, o aumento das chuvas já chamou atenção durante o inverno, período que historicamente costuma ser mais seco no Paraná.

Com a chegada da primavera, o comportamento das precipitações passa a ser um dos principais pontos de acompanhamento para definir o resultado final da safra de cevada.

Fonte técnica: Boletim Conjuntural do Deral, Semana 38/2026, de 17 de setembro de 2026, análise do engenheiro-agrônomo C. Hugo W. Godinho.

Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações da Seab/Deral

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