A safra de cevada do Paraná começou a ser colhida em meio a um cenário de atenção com o clima. Até esta semana, 4% dos 130 mil hectares cultivados haviam sido colhidos, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).
O ritmo está próximo ao registrado no mesmo período da safra passada, quando a colheita alcançava 6%, e por enquanto não indica atraso significativo.
A preocupação está no que acontece antes de as máquinas entrarem nas áreas restantes: dias nublados, temperaturas mais baixas e excesso de umidade começaram a piorar as condições das lavouras.
Lavouras boas caem de 86% para 80%
Em apenas uma semana, a proporção de áreas de cevada classificadas em boas condições caiu de 86% para 80%.
Ao mesmo tempo, as lavouras consideradas em condição média passaram de 14% para 20%.
Segundo o engenheiro-agrônomo C. Hugo W. Godinho, do Deral, as áreas em estágio reprodutivo já começam a sentir os efeitos do excesso de umidade.
A comparação com o ano passado também mostra uma situação menos favorável.
No mesmo período de 2025, 90% das lavouras estavam em boas condições e apenas 10% eram classificadas como médias.
Produtividade recorde fica mais difícil
Com a deterioração observada nas últimas semanas, o Deral considera improvável repetir o rendimento de 4.736 quilos por hectare alcançado na safra passada.
O clima durante a maturação e a colheita será determinante para definir o tamanho da perda de produtividade.
O ponto positivo está na expansão da área cultivada.
Área plantada cresceu 23%
A cevada ocupa 130 mil hectares no Paraná nesta temporada, contra 106 mil hectares em 2025.
Isso representa crescimento de 23% na área semeada.
A expansão pode compensar parte de uma eventual redução no rendimento e permitir que a produção total fique acima das 500 mil toneladas obtidas no ciclo anterior.
Esse resultado, porém, depende diretamente de uma melhora das condições meteorológicas justamente quando a colheita ganhar velocidade.
Outubro e novembro serão decisivos
O pico dos trabalhos está previsto para outubro e novembro.
Por isso, uma sequência de períodos chuvosos durante a primavera poderia dificultar a entrada das máquinas, prolongar a permanência dos grãos maduros no campo e aumentar a pressão sobre a qualidade das lavouras.
O Deral aponta o El Niño como principal fator de incerteza para os próximos meses.
Segundo a análise, o aumento das chuvas já chamou atenção durante o inverno, período que historicamente costuma ser mais seco no Paraná.
Com a chegada da primavera, o comportamento das precipitações passa a ser um dos principais pontos de acompanhamento para definir o resultado final da safra de cevada.
Fonte técnica: Boletim Conjuntural do Deral, Semana 38/2026, de 17 de setembro de 2026, análise do engenheiro-agrônomo C. Hugo W. Godinho.
Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações da Seab/Deral
