Temporais, granizo e excesso de umidade reduziram as janelas de trabalho no campo; trigo e cevada também enfrentam perda de qualidade na reta final da colheita
A chuva voltou a ditar o ritmo da safra no Paraná. Entre os dias 6 e 12 de outubro, temporais, rajadas de vento e episódios de granizo atingiram diferentes regiões do Estado e dificultaram o avanço de plantio, colheita e manejo das lavouras.
Mesmo assim, a soja 2026/27 chegou a 39% da área plantada, enquanto o milho da primeira safra alcançou 84%, segundo o novo relatório de Condições de Tempo e Cultivo do Departamento de Economia Rural (Deral), com dados atualizados em 13 de outubro.
Soja chega a 39%, mas chuva reduz ritmo
O plantio da soja avançou, mas de forma irregular.
Em algumas regiões, os produtores conseguiram aproveitar breves períodos de tempo firme. Em outras, as máquinas permaneceram paradas por causa do solo encharcado e da dificuldade de acesso às lavouras.
Das áreas já implantadas, 98% estão em boas condições e 2% em condição média.
Na fase de desenvolvimento, 18% das lavouras estão em germinação e 82% em desenvolvimento vegetativo.
O Deral relata que o excesso de água pode provocar falhas de germinação, enquanto a baixa luminosidade vem retardando o crescimento das plantas em alguns pontos.
Granizo e vento atingem áreas isoladas
Os temporais também provocaram danos localizados.
Rajadas de vento e granizo reduziram o estande de plantas e causaram desfolhamento em algumas lavouras de soja.
Até o momento, porém, o relatório não aponta necessidade generalizada de replantio.
Outro problema observado foi a forte emergência de plantas daninhas, principalmente picão-preto, exigindo atenção ao manejo dos talhões.
A combinação de calor, chuva e elevada umidade também cria ambiente favorável para pragas e doenças.
Milho já está 84% plantado
O milho da primeira safra está mais adiantado.
O plantio chegou a 84% da área prevista, e diversas regiões já estão próximas de concluir a semeadura.
Entre as áreas implantadas, 84% apresentam boas condições e 16% estão em condição média.
O Deral também registrou incidência elevada de tripes e presença de lagartas em determinadas lavouras.
Vendavais e granizo causaram desfolhamento em pontos isolados.
Feijão passa da metade da área
A primeira safra de feijão alcançou 58% da área plantada.
As lavouras apresentam, em geral, desenvolvimento satisfatório, com 82% das áreas classificadas em boas condições, 18% em situação média e percentual residual considerado ruim.
Do total implantado, 17% permanece em germinação, 78% está em desenvolvimento vegetativo, 4% entrou em floração e 1% já está em frutificação.
Assim como na soja, o excesso de umidade vem reduzindo o ritmo das operações.
Trigo chega a 75% colhido e qualidade preocupa
Nas culturas de inverno, o desafio já não é apenas retirar o produto do campo, mas preservar sua qualidade.
A colheita do trigo atingiu 75% da área.
Nas lavouras remanescentes, apenas 46% estão classificadas em boas condições, enquanto 42% apresentam condição média e 12% estão ruins.
O excesso de chuva vem provocando queda no peso hectolitro, perda de produtividade e problemas de classificação comercial.
Em algumas áreas, o granizo também causou debulhamento em lavouras que estavam prontas para a colheita.
Cevada sofre com qualidade abaixo do esperado
Na cevada, 28% da área já foi colhida.
A situação das lavouras que ainda permanecem no campo também preocupa: 61% estão em boas condições, 32% em situação média e 7% ruins.
Segundo o Deral, os lotes já colhidos vêm apresentando qualidade e produtividade abaixo do esperado, inclusive com dificuldades para atingir os padrões exigidos para cevada cervejeira.
A chuva e a baixa luminosidade também aumentam o risco de doenças.
Excesso de água atinge outras culturas
Os impactos das chuvas não ficam restritos aos grãos.
Na batata, o encharcamento dificulta os tratamentos fitossanitários e aumenta a preocupação com a requeima.
Na mandioca, plantio e colheita foram interrompidos em algumas áreas, e o acúmulo de água aumenta o risco de erosão.
Na cana-de-açúcar, a chuva também reduz o ritmo da colheita e já provoca relatos de dificuldade no abastecimento de matéria-prima.
Hortaliças tiveram danos em estufas por causa de vento forte, enquanto operações que exigem movimentação do solo permanecem suspensas em áreas muito úmidas.

Safra avança, mas precisa de janelas de tempo firme
O cenário mostra que a safra de verão segue avançando no Paraná, mas cada período de tempo seco ganhou importância.
Com a soja ainda abaixo da metade da área plantada, milho próximo do fim da semeadura e culturas de inverno tentando concluir a colheita, alguns dias sem chuva podem fazer diferença direta no calendário do produtor.
Fonte: Seab/Deral, Condições de Tempo e Cultivo, período de 6 a 12 de outubro de 2026, dados referentes a 13 de outubro.
Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações da Seab/Deral
