Solo bem manejado segurou 99,7% da chuva em estudo no Paraná

Pesquisa realizada em Toledo mostra força do terraceamento aliado ao plantio direto, rotação de culturas e cobertura do solo; em episódio de chuva extrema, área sem proteção sofreu erosão e precisou de replantio

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Uma pesquisa conduzida em uma propriedade rural de Toledo, no Oeste do Paraná, está colocando números em uma prática que pode fazer diferença direta no bolso do produtor: conservar o solo para aproveitar melhor a água da chuva e reduzir perdas por erosão.

O trabalho acompanha lavouras de soja, milho e trigo e mede quanto de água, solo e nutrientes é levado pela enxurrada depois das chuvas. A pesquisa começou em 2018 e integra atualmente o Napi-Prosolo, com participação da Rede Paranaense de Agropesquisa e apoio de instituições como o Sistema FAEP e Fundação Araucária.

99,7% da água ficou no sistema

Um dos resultados mais expressivos veio do monitoramento realizado em 2023.

Os pesquisadores acompanharam 25 eventos de chuva e analisaram em detalhes os oito com maior potencial de perdas. Foram registrados 571,3 milímetros de precipitação.

Desse volume, apenas 0,28% escoou pela superfície. Na prática, aproximadamente 99,7% da água infiltrou no solo, permanecendo disponível para as plantas ou seguindo para os cursos d’água por caminhos subterrâneos.

O principal sistema avaliado é o terraceamento, que cria estruturas no terreno capazes de diminuir a velocidade da água e aumentar o tempo disponível para infiltração.

“Queremos mostrar como o processo erosivo acontece na propriedade, quantificar essa perda para que o produtor tenha percepção dos custos causados pela erosão e, principalmente, demonstrar a importância do uso dos terraços nas lavouras”, afirma Graziela Cesare Barbosa, pesquisadora envolvida no estudo.

Choveu 154 milímetros e diferença apareceu na lavoura

Um episódio registrado em outubro de 2022 mostrou, na prática, o que o manejo pode representar.

Após uma sequência de chuvas que acumulou 114 milímetros, o produtor semeou soja. Apenas quatro dias depois, a propriedade recebeu mais 154 milímetros de chuva.

Na área protegida por terraços, a soja emergiu normalmente, sem formação de sulcos e sem o arraste da palhada.

Já na área sem a estrutura, a água abriu sulcos erosivos, removeu a cobertura do solo e obrigou o produtor a replantar parte da lavoura.

Enxurrada também leva adubo e dinheiro

Quando a água corre sobre a lavoura, o prejuízo não está apenas na terra que desaparece.

A enxurrada pode carregar nutrientes e fertilizantes que já foram pagos e aplicados pelo produtor. Entre os elementos monitorados pelos pesquisadores estão nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio.

“O processo erosivo, além da água e solo, também leva o adubo que o produtor colocou para o desenvolvimento das plantas, pois fica dissolvido na água. Muitas vezes, pode até levar as sementes recém-semeadas. A microbiologia do solo também é afetada, com perda de carbono”, explica Graziela Cesare Barbosa.

Terraço sozinho não resolve

A pesquisa chama atenção para outro ponto importante: não basta fazer terraços e abandonar o restante do manejo.

O resultado depende da combinação com práticas como semeadura direta, plantio em nível, rotação de culturas e manutenção da maior cobertura possível sobre o solo.

“Somente o terraço não resolve se o produtor não executa o bom manejo do solo”, ressalta a pesquisadora.

Para Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP, conservar o solo significa proteger o principal patrimônio de quem produz.

“Conservar o solo é garantir o futuro da produção agropecuária”, afirma Meneguette.

Os estudos também são realizados em outras regiões do Paraná, incluindo Cianorte, Presidente Castelo Branco, Cambé, Ponta Grossa, Guarapuava e Dois Vizinhos, ampliando a avaliação para diferentes condições produtivas do estado.

Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do Sistema FAEP

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