Cooperativas-escola avançam em 22 colégios agrícolas do Paraná e uma delas já movimenta R$ 2,3 milhões

Modelo permite que estudantes participem na prática da produção, gestão e tomada de decisões; Paraná tem 31 colégios agrícolas e busca ampliar cooperativas-escola para toda a rede

Compartilhar

Um modelo que mistura sala de aula, produção agropecuária e gestão de negócios está ganhando novamente força nos colégios agrícolas do Paraná.

Atualmente, o estado possui 31 colégios agrícolas em funcionamento e 22 deles já contam com cooperativas-escola, estrutura que permite aos estudantes participar diretamente de atividades produtivas, administrativas e de gestão.

A retomada ganhou força depois de uma mudança na legislação estadual em 2023, que devolveu autonomia às cooperativas e permitiu que o dinheiro obtido com a produção seja reinvestido diretamente nas próprias instituições de ensino.

Os dados e informações fazem parte de artigo produzido por profissionais do Sistema Ocepar sobre a evolução das cooperativas-escola nos colégios agrícolas do Paraná.

Leia o artigo: Evolução das cooperativas-escola de Colégios Agrícolas no Paraná

Colégio de Castro movimentou R$ 2,3 milhões

Um dos exemplos mais expressivos está no Colégio Agrícola Estadual Olegário Macedo, em Castro, que possui 90 anos de atuação na formação profissional voltada principalmente ao meio rural.

Em 2025, a cooperativa-escola da instituição registrou receita aproximada de R$ 2,3 milhões.

A estrutura produtiva ajuda a mostrar que a experiência vai muito além de uma atividade simbólica para os alunos.

A produção alcança cerca de 2 mil litros de leite por dia, além de aproximadamente 1 mil toneladas de milho, 300 toneladas de soja e 500 suínos.

Os recursos obtidos são reinvestidos no próprio colégio, financiando melhorias estruturais, aquisição de insumos e modernização tecnológica.

Aluno aprende a administrar produzindo

A proposta das cooperativas-escola é fazer com que o estudante conheça na prática etapas que encontrará depois de formado.

Além da parte técnica da agricultura e da pecuária, os alunos têm contato com gestão, organização cooperativista, tomada de decisões, indicadores financeiros, governança e responsabilidade coletiva.

Dessa forma, o ambiente escolar funciona também como uma espécie de laboratório para a futura atuação profissional no agro.

O modelo ainda aproxima os estudantes das cooperativas agropecuárias, de crédito, infraestrutura e serviços que fazem parte da realidade econômica de várias regiões paranaenses.

Cooperativas-escola começaram em 1968 no Paraná

Apesar da retomada recente, a história dessas estruturas no estado é antiga.

As primeiras cooperativas-escola surgiram em 1968, em municípios como Castro, Guarapuava, Clevelândia e Apucarana.

O modelo cresceu nas décadas seguintes e ganhou uma regulamentação nacional em 1982, estabelecendo diretrizes para a participação dos estudantes sob orientação dos professores.

A partir dos anos 2000, o Sistema Ocepar e o Governo do Paraná intensificaram a organização das cooperativas, com regularização jurídica, capacitação de professores e implantação de ferramentas de gestão.

Mudança em 2009 enfraqueceu modelo

O processo sofreu uma forte interrupção a partir de 2009.

Uma resolução estadual determinou que as receitas provenientes da comercialização da produção dos colégios fossem centralizadas na conta do Estado.

Na prática, as cooperativas perderam autonomia para administrar os próprios recursos.

Com isso, diversas estruturas reduziram atividades, entraram em processo de liquidação ou foram encerradas.

Lei de 2023 abriu caminho para retomada

A mudança aconteceu com a aprovação da Lei Estadual nº 21.554/2023.

A legislação garantiu personalidade jurídica própria às cooperativas-escola, recuperou a autonomia operacional e permitiu atividades econômicas ligadas ao projeto pedagógico.

Outro ponto importante foi permitir que os recursos gerados pela produção retornassem diretamente para as instituições de ensino.

Desde então, o modelo passou por um processo de reconstrução coordenado pela Secretaria de Estado da Educação (Seed), Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e Sistema Ocepar.

Hoje, 22 dos 31 colégios agrícolas estaduais já trabalham dentro dessa nova estrutura, enquanto as unidades restantes avançam no processo de implantação.

Formação pode abastecer o futuro do agro paranaense

A importância dessas escolas aparece também nas trajetórias profissionais de quem passou por esse tipo de formação.

O Sistema Ocepar cita dirigentes e executivos que iniciaram suas trajetórias técnicas em colégios agrícolas, incluindo nomes que hoje ocupam posições de liderança no cooperativismo e no poder público do Paraná.

O desafio agora é ampliar as cooperativas-escola e fortalecer a ligação entre estudantes, instituições de ensino e o setor produtivo.

Em agosto, um encontro realizado na sede do Sistema Ocepar reuniu cerca de 80 representantes de colégios agrícolas e lideranças do setor para discutir os próximos passos do modelo.

A aposta é que as cooperativas-escola ajudem a formar uma nova geração de profissionais que chegue ao mercado conhecendo não apenas produção agropecuária, mas também gestão, tecnologia, cooperativismo e funcionamento de um negócio rural.

Artigo de autoria de: Robson Mafioletti, João Gogola, Diogo Tavares, Jessé Aquino, Eliane Goulart, Mariana Balthazar, Claudiomiro Rodrigues, Marlon Tecchio Dreher, Rogério Croscato, Daniely A. Silva, José Ronkoski, Joice Lesniowski e Luciane Gonçalves, profissionais do Sistema Ocepar.

Crédito da notícia: Conversa de Colono, com base em artigo publicado pelo Sistema Ocepar.

Leia mais

Notícias Relacionadas