Mel de Capanema conquista Indicação Geográfica e impulsiona turismo no Sudoeste

Reconhecimento valoriza produção de mais de 50 anos, protege a origem do produto e amplia oportunidades de mercado e turismo para agricultores familiares

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O Mel de Capanema conquistou o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG) e passou a ser a 29ª IG do Paraná. O registro foi concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) na modalidade Denominação de Origem, que reconhece características do produto diretamente ligadas às condições naturais e humanas da região onde é produzido.

A apicultura na região de Capanema, no Sudoeste paranaense, tem mais de 50 anos de história e está fortemente ligada à agricultura familiar.

Atualmente, os produtores vinculados à Associação de Apicultores de Capanema e Região (Apic) mantêm aproximadamente 5 mil colmeias e produzem cerca de 60 toneladas de mel por ano.

Além do mercado regional, o produto é comercializado para estados como São Paulo e Rio Grande do Sul.

Mata Atlântica ajuda a dar identidade ao produto

As características do Mel de Capanema estão relacionadas à interação das abelhas com a flora nativa da Mata Atlântica, preservada principalmente na região do Parque Nacional do Iguaçu, próximo à fronteira entre Brasil e Argentina.

Essa combinação entre ambiente, vegetação e práticas desenvolvidas pelos produtores ao longo dos anos ajudou a diferenciar o produto e fundamentou o reconhecimento da Denominação de Origem.

Na prática, a IG funciona como uma identificação da procedência e das características específicas do produto, ajudando a proteger sua origem e agregar valor comercial.

Turismo começa a crescer ao redor do mel

O reconhecimento também pode gerar oportunidades fora da comercialização tradicional.

Produtores da região já realizam visitas guiadas a apiários, permitindo que turistas conheçam as colmeias, acompanhem etapas do processo de extração e entendam como o mel é produzido.

A Associação de Apicultores de Capanema e Região já participa de roteiros turísticos do município e espera ampliar as atividades após o reconhecimento da IG.

A proposta é transformar o mel não apenas em um produto regional, mas também em parte da experiência turística do Sudoeste.

Para as famílias envolvidas, o turismo rural pode representar uma fonte adicional de renda, ao mesmo tempo em que aproxima consumidores dos produtores e fortalece a identidade local.

Paraná é destaque nacional na produção de mel

A apicultura também tem peso importante para a economia estadual.

Em 2025, o Paraná produziu 10,7 mil toneladas de mel, volume 7,1% superior ao registrado no ano anterior.

O Estado ocupou a posição de segundo maior produtor do Brasil.

Em valor de produção, porém, o Paraná ficou na liderança nacional, com R$ 217,7 milhões, alta de 17,1% e participação de 17,9% no valor produzido no país.

Estado agora tem quatro méis com Indicação Geográfica

Com o reconhecimento de Capanema, o Paraná passa a ter quatro méis reconhecidos por Indicação Geográfica.

Além do novo registro, integram a lista o mel de Ortigueira, reconhecido em 2015, o mel do Oeste do Paraná, certificado em 2017, e o mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil, que envolve municípios paranaenses e catarinenses.

A Indicação Geográfica também pode facilitar a entrada dos produtos em mercados que valorizam procedência, padronização e diferenciação.

Paraná chega a 29 Indicações Geográficas

O reconhecimento do Mel de Capanema elevou para 29 o número de Indicações Geográficas paranaenses.

Somente em 2026, o Estado conquistou sete novos registros, entre eles produtos como cervejas artesanais de Guarapuava, café da Serra de Apucarana, ginseng de Querência do Norte, tortas de Carambeí e pão no bafo de Palmeira.

Os registros ajudam a proteger produtos ligados a determinadas regiões e podem ampliar oportunidades de comercialização, turismo e valorização da produção local.

*Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do IDR-Paraná

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