O Paraná continua entre os principais exportadores de mel do Brasil, mas 2026 tem sido marcado por queda nos embarques e valorização do produto vendido ao exterior.
Entre janeiro e agosto, o Estado exportou 3.509 toneladas de mel in natura, redução de 25,3% na comparação com as 4.700 toneladas registradas no mesmo período de 2025.
A receita chegou a US$ 12,401 milhões, queda de 19,8%. Em sentido contrário, o preço médio recebido pelo mel paranaense avançou 7,4%, passando de aproximadamente US$ 3,29 para US$ 3,53 por quilo.
Os números fazem parte da análise do Departamento de Economia Rural (Deral), com base em dados da Agrostat Brasil.
Paraná é o terceiro maior exportador do país
Mesmo com a retração, o Paraná ocupa a terceira posição nacional nas exportações de mel.
Santa Catarina aparece na liderança, seguida por Minas Gerais.
Depois do Paraná estão Piauí e São Paulo entre os cinco principais Estados exportadores.
O desempenho paranaense mostra que a redução do volume vendido foi parcialmente compensada pela valorização do produto no mercado internacional.
Brasil exporta menos, mas receita cresce
No cenário nacional, o Brasil exportou 25.077 toneladas de mel nos primeiros oito meses de 2026.
O volume ficou 3,2% abaixo das 25.905 toneladas negociadas no mesmo período do ano passado.
Mesmo vendendo menos, o país faturou mais.
A receita passou de US$ 86,244 milhões para US$ 88,688 milhões, crescimento de 2,8%.
O motivo foi o preço médio, que aumentou 6,2% e chegou a aproximadamente US$ 3,54 por quilo.
Estados Unidos ainda compram quase 70% do mel brasileiro
Apesar da busca por novos mercados, os Estados Unidos continuam dominando as compras.
O país recebeu 17.441 toneladas, equivalentes a 69,5% de todo o volume brasileiro exportado entre janeiro e agosto.
Essas vendas movimentaram US$ 61,953 milhões.
Mas a dependência do mercado norte-americano aparece como um ponto de atenção.
No mesmo período de 2025, os Estados Unidos haviam comprado 22.191 toneladas. Em 2026, portanto, houve redução de 21,4% no volume e de 15,9% na receita.
O preço médio, por outro lado, avançou cerca de 7%.
Agosto teve tombo de 77,7% nas vendas aos EUA
A volatilidade ficou ainda mais evidente em agosto.
Os Estados Unidos importaram apenas 676 toneladas de mel brasileiro, contra 2.941 toneladas no mesmo mês de 2025.
A redução foi de 77,7% no volume.
A receita caiu 76,8%, para aproximadamente US$ 2,41 milhões.
Mesmo nesse cenário, o preço médio continuou levemente positivo, chegando a cerca de US$ 3,67 por quilo.
Alemanha compra quase quatro vezes mais
Enquanto os Estados Unidos reduziram as compras, outros destinos ganharam espaço.
A Alemanha importou 2.690 toneladas de mel brasileiro entre janeiro e agosto, crescimento de 249,4%.
A receita chegou a US$ 9,872 milhões, avanço de 269,1%.
O Canadá também teve forte expansão, comprando 2.950 toneladas, alta de 59,3%.
Já o Reino Unido chegou a 1.039 toneladas, crescimento de 81,1%.
Portugal dispara mais de 700%
Mercados menores também mostraram forte expansão.
Portugal adquiriu 162 toneladas, aumento de 740,3% em volume.
Também aparecem entre os novos ou crescentes destinos Filipinas, Polônia, Áustria e Países Baixos.
Para o setor, essa diversificação pode ser estratégica diante da elevada concentração das exportações brasileiras nos Estados Unidos.
União Europeia pode voltar ao radar
Outro ponto acompanhado pela apicultura é o mercado europeu.
Segundo o boletim do Deral, uma restrição passou a atingir as exportações brasileiras de produtos de origem animal para a União Europeia em setembro, incluindo o mel.
No fim daquele mês, porém, uma auditoria técnica da Comissão Europeia apontou conformidade nos controles sanitários brasileiros relacionados à apicultura e à avicultura.
A possível liberação formal ainda depende de procedimentos regulatórios europeus previstos para os próximos dias.
Preço maior ajuda, mas não compensa toda a queda
Os números deixam um cenário claro para o Paraná.
O mel está sendo vendido por um preço maior, mas a valorização de 7,4% não foi suficiente para compensar a queda de 25,3% no volume exportado.
Ao mesmo tempo, o crescimento de mercados como Alemanha, Canadá e Reino Unido mostra uma oportunidade para reduzir a dependência de um único grande comprador.
Para a apicultura paranaense, o desafio passa a ser recuperar volume, manter a valorização do produto e ampliar a presença em novos destinos internacionais.
Fonte técnica: Boletim Conjuntural do Deral, Semana 42/2026, de 15 de outubro de 2026, análise do médico-veterinário Roberto Carlos Andrade e Silva.
Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações da Seab/Deral e Agrostat Brasil
