A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação, a COP17, caminha para terminar nesta sexta-feira (28) sem um acordo global para enfrentar as secas.
Países africanos defendem há várias conferências a criação de um mecanismo internacional capaz de financiar ações de prevenção, adaptação e recuperação. Estados Unidos e União Europeia estão entre os principais opositores a um compromisso obrigatório e defendem modelos de adesão voluntária.
O Brasil apoia a criação do regime global, mas diante da falta de consenso trabalha para manter o tema na agenda da próxima conferência, prevista para 2028.
Seca está ficando mais frequente
O impasse acontece enquanto os próprios dados das Nações Unidas mostram avanço do problema.
Relatórios da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação indicam que a frequência, intensidade e alcance geográfico das secas aumentaram quase 30% desde 2000.
Para Daniel Tsegai, coordenador do grupo de trabalho sobre seca da UNCCD, governos precisam mudar a forma de lidar com o fenômeno.
“A seca agora é uma crise constante. Precisamos mudar esse paradigma da gestão de crises para a gestão preventiva de riscos.”
A avaliação é de que esperar o problema acontecer para depois reagir deixou de ser suficiente.
Por que isso interessa ao produtor do Paraná
Embora as negociações aconteçam na Mongólia, o debate interessa diretamente a regiões agrícolas como o Paraná.
Secas prolongadas podem afetar produtividade, disponibilidade de água, produção de alimentos e custos dentro das propriedades.
Além disso, o problema deixou de ser visto apenas como falta de chuva na lavoura. Segundo a UNCCD, eventos extremos também podem afetar transporte, hidrovias, comércio internacional e abastecimento.
Para o produtor paranaense, isso reforça a importância de planejamento climático, conservação do solo, gestão de água e acompanhamento das previsões.
Dinheiro é um dos principais impasses
A principal dificuldade para um acordo internacional está no financiamento.
Países mais vulneráveis defendem um mecanismo que permita receber recursos antes, durante e depois dos períodos de seca.
Países ricos, por outro lado, resistem a assumir novas obrigações financeiras internacionais.
Mesmo sem um acordo global, algumas iniciativas avançaram durante a COP17.
A Arábia Saudita se comprometeu com US$ 150 milhões para uma aliança de resiliência à seca. O Banco Islâmico de Desenvolvimento e um fundo ligado à Opep anunciaram aportes que somam US$ 2 bilhões.
Também foi criado um novo fundo com objetivo de mobilizar até US$ 400 milhões em recursos públicos e privados para projetos de resiliência.
Próxima tentativa fica para 2028
A expectativa é que a COP17 termine com uma decisão apenas procedimental, mantendo a discussão aberta para a COP18.
Isso significa mais dois anos sem um regime internacional obrigatório específico para enfrentar as secas.
Para um setor que depende diretamente do clima, o recado da conferência é claro: enquanto os governos ainda discutem como financiar uma resposta global, produtores e cadeias agrícolas já precisam incorporar o risco de seca ao planejamento do negócio.
Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações da Agência Brasil e da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD)
