Suíno é vendido abaixo do custo no Paraná e produtor perde R$ 0,27 por quilo

Custo de produção chegou a R$ 5,81/kg em julho, enquanto o produtor recebeu em média R$ 5,54/kg; ração responde por 70% das despesas e relação de troca piorou fortemente em um ano

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A conta apertou ainda mais para o suinocultor paranaense.

Em julho de 2026, o custo de produção do suíno vivo no Paraná chegou a R$ 5,81 por quilo, enquanto o preço médio recebido pelo produtor ficou em R$ 5,54/kg.

Na prática, o animal foi vendido R$ 0,27 por quilo abaixo do custo total de produção, uma diferença de aproximadamente 4,65%.

Os dados fazem parte do Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, com informações da Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa.

Custo sobe, mas preço pago ao produtor quase não reage

O custo de produção aumentou 1% em relação a junho, quando estava em R$ 5,75/kg.

Na comparação com julho de 2025, quando produzir um quilo de suíno custava R$ 5,86, houve pequena redução de 0,85%.

O problema aparece principalmente quando o custo é comparado ao valor recebido pelo animal.

Em julho, o suíno vivo foi negociado, em média, a R$ 5,54/kg no Paraná, apenas 0,54% acima dos R$ 5,51 registrados em junho.

Quando a comparação é feita com o ano passado, porém, a situação muda completamente.

Em julho de 2025, o produtor recebia R$ 6,96/kg. Em um ano, a cotação caiu 21,5%.

Suíno já perdeu 20% de valor desde janeiro

A desvalorização também é forte dentro de 2026.

Em janeiro, o suíno vivo era negociado a R$ 6,94/kg no Paraná.

Seis meses depois, o valor caiu para R$ 5,54, retração de aproximadamente 20,2%.

A cotação de julho também ficou 20,4% abaixo da média nominal registrada durante todo o ano de 2025, de R$ 7,03/kg.

O resultado é um cenário em que o produtor recebe menos pelo animal ao mesmo tempo em que enfrenta custos ainda elevados dentro da propriedade.

Ração consome 70% de tudo o que o produtor gasta

A alimentação continua sendo, de longe, o principal componente do custo da suinocultura paranaense.

Em julho, a nutrição animal respondeu por 70,05% do custo total de produção.

Foram R$ 4,07 por quilo de suíno produzido apenas com alimentação.

Em junho, esse custo estava em R$ 4,03/kg.

O peso da ração ajuda a explicar por que qualquer movimento nos preços do milho e do farelo de soja tem efeito direto sobre a margem do suinocultor.

Milho e farelo de soja ficaram mais caros

No mercado atacadista paranaense, os dois principais componentes da ração apresentaram valorização.

A saca de 60 quilos de milho chegou a R$ 61,62 em julho, alta de 0,6% em relação a junho e de 2,8% na comparação com julho do ano passado.

O farelo de soja fechou o mês a R$ 1.873,18 por tonelada.

O valor representa avanço de 2,8% em um mês e de 3,9% em relação a julho de 2025.

Para quem produz suíno, a combinação é especialmente ruim: o animal perdeu valor enquanto os principais ingredientes usados na alimentação ficaram mais caros.

Produtor precisa vender muito mais suíno para comprar milho

A deterioração aparece com clareza na relação de troca.

Em julho de 2025, o produtor precisava vender 144 quilos de suíno vivo para comprar uma tonelada de milho.

Em julho deste ano, passou a precisar de 185 quilos.

Isso representa uma piora de 28,5% no poder de compra do suinocultor em relação ao milho.

No caso do farelo de soja, a situação foi ainda mais pesada.

Há um ano, eram necessários 259 quilos de suíno para comprar uma tonelada do produto.

Agora são necessários 338 quilos.

A perda no poder de compra chegou a 30,5%.

Mão de obra teve alta de quase 10%

O Índice de Custos de Produção de Suínos (ICPSuíno) da Embrapa atingiu 359,67 pontos em julho, avanço de 1,30% frente a junho.

Entre os componentes que mais pressionaram o índice no mês, a maior alta ocorreu na mão de obra, com 9,87%.

Também aumentaram:

Energia elétrica, calefação e cama: +2,52%
Custos de capital: +1,67%
Nutrição: +1,19%

A genética apresentou queda de 0,67%, enquanto transporte e sanidade permaneceram praticamente estáveis.

Alguns custos caíram no acumulado do ano

Apesar da pressão registrada em julho, alguns componentes apresentam redução quando considerado o acumulado de 2026.

Os gastos com genética recuaram 26,78%, enquanto os custos de capital diminuíram 11,84%.

A alimentação acumula queda de 1,81% no ano.

Mesmo assim, isso não foi suficiente para compensar a forte redução no preço recebido pelo suíno vivo.

Pressão atinge toda a Região Sul

O problema das margens apertadas não está restrito ao Paraná.

Em Santa Catarina, o custo de produção do suíno vivo chegou a R$ 6,29/kg em julho, alta de 1,30% em relação a junho.

No Rio Grande do Sul, o custo alcançou R$ 6,31/kg, aumento de 0,32% no mês.

O Paraná ainda apresenta custo nominal inferior ao dos outros dois estados do Sul, mas o valor recebido pelo produtor permanece abaixo do necessário para cobrir as despesas calculadas para a atividade.

Margem negativa aumenta pressão sobre a atividade

O cenário exige cautela porque uma diferença aparentemente pequena por quilo pode se transformar em um valor elevado quando aplicada ao volume total comercializado por uma granja.

Com R$ 0,27 de diferença negativa por quilo, um lote de 100 toneladas de suíno vivo, por exemplo, representaria uma diferença de R$ 27 mil entre receita e custo, considerando apenas essa relação média.

A recuperação da rentabilidade dependerá principalmente de uma combinação entre melhora no preço recebido pelo animal e maior equilíbrio nos custos da alimentação.

Enquanto isso não acontece, o levantamento do Deral mostra que o produtor paranaense continua trabalhando com uma margem pressionada justamente no momento em que milho e farelo de soja voltam a encarecer.

Fonte técnica: Boletim Conjuntural do Deral, Semana 35/2026, análise do médico-veterinário Roberto Carlos Andrade e Silva.

Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do Deral/Seab e da Embrapa Suínos e Aves

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