Cooperativas do Paraná recebem R$ 1,3 bilhão do BNDES e querem R$ 10 bilhões por ano para crescer

Crédito aprovado no primeiro semestre financia projetos de etanol, armazenagem, refrigeração e agroindustrialização; setor entregou ao banco propostas para ampliar recursos, seguro rural, tecnologia e energia

Compartilhar

As cooperativas de produção do Paraná receberam R$ 1,3 bilhão em aprovações de crédito do BNDES somente no primeiro semestre de 2026. O volume foi apresentado durante encontro do presidente do banco, Aloizio Mercadante, com representantes do cooperativismo paranaense, realizado na sede do Sistema Ocepar, em Curitiba.

O encontro também abriu uma nova discussão sobre o financiamento do setor. As cooperativas entregaram ao BNDES uma série de propostas e defendem a criação de condições que permitam ampliar investimentos em agroindustrialização, armazenagem, tecnologia, energia e outros projetos estruturantes.

Paraná concentra 38% do apoio às cooperativas

Nos últimos três anos e meio, o BNDES aprovou R$ 18,6 bilhões para cooperativas brasileiras.

Desse total, R$ 7,04 bilhões foram destinados a cooperativas do Paraná, o equivalente a 38% de todo o volume aprovado para o setor no país.

Somente no primeiro semestre deste ano, as aprovações para cooperativas paranaenses chegaram aos R$ 1,3 bilhão.

Mercadante destacou o papel do modelo cooperativista na expansão e modernização da produção.

“A cooperativa é um modelo de produção muito avançado”, afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, ao destacar ganhos de escala, eficiência e inovação proporcionados pelo cooperativismo.

Coamo recebe maior financiamento entre projetos destacados

Um dos maiores investimentos apresentados durante o encontro envolve a Coamo, em Campo Mourão.

O BNDES aprovou R$ 500 milhões para ajudar a financiar a construção de uma planta de etanol de milho. O empreendimento completo prevê investimento de aproximadamente R$ 1,66 bilhão.

A nova indústria terá capacidade para produzir até 280 milhões de litros de etanol por ano.

O projeto mostra uma tendência importante do cooperativismo paranaense: deixar de comercializar apenas matéria-prima e ampliar a transformação da produção dentro do próprio estado.

Silos, refrigeração e farelo também recebem recursos

Outras cooperativas paranaenses também tiveram projetos destacados.

A Copacol, em Assis Chateaubriand, recebeu aprovação de R$ 37 milhões para instalar dois silos metálicos e ampliar sua capacidade de armazenagem e secagem de grãos. O investimento total é de R$ 38,96 milhões.

Em Castro, a Aurora Alimentos recebeu R$ 50 milhões para uma nova central de refrigeração e um túnel de congelamento contínuo. O projeto completo soma R$ 74,52 milhões e busca ampliar a capacidade de comercialização de produtos de maior valor agregado.

Já a Cocamar recebeu R$ 25 milhões para construir um armazém de farelo de soja em Maringá. A estrutura terá capacidade para 45 mil toneladas e faz parte de um investimento total de R$ 51,56 milhões.

Cooperativas querem R$ 10 bilhões por ano

O encontro não serviu apenas para apresentar os financiamentos já realizados.

O Sistema Ocepar entregou ao BNDES propostas para ampliar o acesso das cooperativas aos recursos públicos de investimento.

Entre elas está a defesa de uma linha de aproximadamente R$ 10 bilhões por ano, em condições consideradas mais favoráveis, para financiar projetos ligados a agroindustrialização, armazenagem, tecnologia, energia e outros setores cooperativos.

Para José Roberto Ricken, presidente-executivo do Sistema Ocepar, o banco tem papel estratégico na expansão da estrutura agroindustrial do estado.

“O BNDES é fundamental, é o principal agente financeiro especialmente para a agroindustrialização”, afirmou José Roberto Ricken.

Seguro rural também entrou na pauta

As cooperativas aproveitaram a reunião para apresentar outras demandas relacionadas ao campo.

No seguro rural, a proposta é garantir R$ 4 bilhões por ano em subvenção, com liberação dos recursos de acordo com o calendário agrícola e tratamento diferenciado para culturas mais expostas a riscos climáticos.

O setor também pediu mudanças em regras do Plano Safra e maior adequação da oferta de crédito ao tamanho dos investimentos realizados pelas cooperativas.

Segundo Ricken, a preocupação climática está entre os fatores que exigem mudanças.

“É um momento delicado e a questão do clima nos preocupa, por isso queremos apoio do governo para modernizar o processo de seguro”, afirmou.

BNDES sinaliza abertura para novas soluções

Mercadante indicou disposição do banco para continuar discutindo os modelos de financiamento utilizados pelo cooperativismo.

“Somos simpáticos à proposta de sentar e reestudar a configuração dos modelos de financiamento”, afirmou o presidente do BNDES.

O banco também demonstrou interesse em ampliar investimentos em inovação e armazenagem, dois gargalos considerados estratégicos para a competitividade do agronegócio.

Para o Paraná, o movimento tem impacto direto. Quanto maior a capacidade das cooperativas de investir em indústrias, silos, tecnologia e processamento, maior também é a possibilidade de agregar valor à produção antes que ela deixe o estado.

Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do BNDES e Sistema Ocepar.

Leia mais

Notícias Relacionadas