Agro perde 267 mil trabalhadores após recordes e perfil de quem trabalha no setor começa a mudar

Agronegócio ainda emprega 27,79 milhões de pessoas no Brasil, mas serviços e agroindústrias puxaram a queda; trabalhadores com ensino superior e por conta própria ganharam espaço

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Depois de uma sequência de recordes, o mercado de trabalho do agronegócio brasileiro recuou no primeiro trimestre de 2026. O setor somou 27,79 milhões de pessoas ocupadas, queda de 1% em relação ao mesmo período do ano passado, o equivalente a 267.298 trabalhadores a menos.

Mesmo com a redução, o agro continua tendo enorme peso na geração de trabalho no país. No período, o setor respondeu por 25,73% de toda a população ocupada no Brasil. Um em cada quatro trabalhadores brasileiros, portanto, estava ligado de alguma maneira à cadeia do agronegócio.

Para o Paraná, onde propriedades rurais, cooperativas, agroindústrias e empresas de serviços formam uma cadeia extensa, o movimento merece atenção. O levantamento divulgado pelo Cepea, porém, é nacional e não apresenta nesse material um recorte específico do emprego paranaense.

Serviços e agroindústrias puxaram a queda

O recuo não aconteceu da mesma maneira em todas as áreas.

Os agrosserviços perderam 307.994 trabalhadores, redução de 2,9%, e foram o segmento que mais contribuiu para a queda.

Nas agroindústrias, o número de ocupados diminuiu 3,1%, representando 148.527 pessoas a menos. O segmento de insumos também apresentou retração de 1,2%.

Já dentro da produção agropecuária aconteceu o movimento contrário.

O chamado segmento primário cresceu 2,5% e ganhou 189.979 trabalhadores no período, ajudando a diminuir o impacto das perdas registradas nos outros elos do agronegócio.

Trabalho por conta própria cresce

O levantamento também mostra uma mudança no perfil das relações de trabalho.

Entre os empregados sem carteira assinada, houve redução de 3,6%, com aproximadamente 147,4 mil pessoas a menos. Entre aqueles com carteira, a queda foi de 1,2%, ou cerca de 115,8 mil trabalhadores.

O número de empregadores caiu 5,2% e o de trabalhadores familiares auxiliares recuou 5%.

Na direção contrária, cresceu o contingente de pessoas trabalhando por conta própria. A alta foi de 1,8%, com aproximadamente 120,2 mil trabalhadores a mais.

Agro está exigindo mais qualificação

Outro dado importante aparece na escolaridade.

O número de trabalhadores do agronegócio com ensino superior aumentou 1,6%, o equivalente a aproximadamente 72,9 mil pessoas.

Ao mesmo tempo, houve queda entre trabalhadores sem instrução e entre aqueles com ensino fundamental e médio. Para os pesquisadores do Cepea, o movimento dá continuidade ao processo de aumento da escolaridade média da força de trabalho do setor.

Para um estado como o Paraná, esse movimento conversa diretamente com a transformação que já ocorre dentro e fora das propriedades. Máquinas mais modernas, agricultura de precisão, gestão de dados, automação, agroindústrias e novas tecnologias aumentam a demanda por profissionais qualificados.

Mulheres ampliam participação relativa

O levantamento também mostra queda na ocupação tanto de homens quanto de mulheres.

Entre os homens, a redução foi de 1,2%, aproximadamente 203,4 mil pessoas. Entre as mulheres, o recuo foi menor, de 0,5%, cerca de 63,9 mil trabalhadoras.

Como a retração foi menos intensa entre elas, a participação relativa das mulheres na força de trabalho do agronegócio voltou a crescer, mantendo uma tendência observada nos últimos anos.

O que esses números dizem sobre o futuro do agro

A queda de 267 mil trabalhadores não significa que o agronegócio esteja deixando de gerar empregos. O setor continua empregando quase 28 milhões de pessoas e representa mais de um quarto do mercado de trabalho brasileiro.

O ponto mais interessante está na mudança de composição.

Enquanto serviços e agroindústrias perderam ocupações no período, o trabalho diretamente ligado à produção cresceu. Também aumentaram o trabalho por conta própria e a presença de profissionais com ensino superior.

Para o agro paranaense, acompanhar essa transformação será importante. Em um setor cada vez mais tecnológico, a discussão sobre mão de obra passa a envolver não apenas quantidade de trabalhadores disponíveis, mas também qualificação, produtividade e capacidade de acompanhar as novas ferramentas que chegam ao campo.

O documento do Cepea não traz declaração direta atribuída a um pesquisador específico. Por isso, não incluí aspas que a fonte não fornece. O material informa que o estudo é produzido pelo Cepea/Esalq-USP em parceria com a CNA e indica o professor Geraldo Barros e a pesquisadora Nicole Rennó como contatos para informações sobre o levantamento.

Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do Cepea/Esalq-USP e CNA

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