O avanço das recuperações judiciais no agronegócio brasileiro também coloca o Paraná entre os estados que mais chamam atenção no levantamento divulgado pela Serasa Experian.
Entre janeiro e março de 2026, o Paraná contabilizou 50 pedidos de recuperação judicial envolvendo produtores rurais e empresas relacionadas à cadeia do agronegócio, ficando atrás apenas de Mato Grosso, com 135, e Goiás, com 73 registros.
No país, foram registrados 474 pedidos de recuperação judicial no agro no primeiro trimestre, aumento de 21,9% em comparação com as 389 solicitações contabilizadas no mesmo período de 2025.
Paraná aparece entre os estados mais pressionados
O levantamento considera produtores rurais que atuam como pessoa física, produtores pessoa jurídica e empresas que fazem parte dos diferentes elos da cadeia agropecuária.
No recorte geral, o Paraná ficou em 3º lugar entre os estados com maior número de solicitações.

A posição ganha ainda mais relevância quando os diferentes perfis são analisados separadamente.
Entre os produtores rurais pessoa física, o Paraná aparece em segundo lugar no país em quantidade de pedidos, atrás apenas de Mato Grosso. Já entre as empresas relacionadas à cadeia do agronegócio, o Paraná ocupa a primeira posição, seguido por São Paulo e Mato Grosso.
Crédito caro e custos pressionam o caixa
Para Marcelo Pimenta, head de Agronegócio da Serasa Experian, os números refletem dificuldades financeiras que já vinham sendo enfrentadas por parte do setor.
“O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo”, afirma Marcelo Pimenta, head de Agronegócio da Serasa Experian.
Segundo ele, apesar da retomada no início de 2026, os pedidos ainda permanecem abaixo dos patamares mais elevados registrados em meados do ano passado.
Produtor pessoa jurídica registra forte aumento
Entre os produtores rurais que atuam como pessoa jurídica, foram contabilizados 196 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março deste ano.
O número representa alta de 73,5% sobre as 113 solicitações registradas no primeiro trimestre de 2025 e foi o maior crescimento anual entre os três grupos analisados.
A soja foi a atividade que concentrou mais pedidos nessa categoria, com 137 solicitações, seguida pela criação de bovinos, com 42.
Entre produtores pessoa física, pedidos recuam
O comportamento foi diferente entre os produtores rurais que atuam como pessoa física.
Nesse grupo, foram registrados 182 pedidos no primeiro trimestre de 2026, queda de 6,7% na comparação com as 195 solicitações do mesmo período de 2025.
Dos pedidos registrados, 60 envolviam produtores classificados como “sem propriedades”, categoria que pode incluir arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos relacionados à atividade rural.
Pequenos proprietários responderam por 44 solicitações, grandes por 41 e médios por 37.
Empresas da cadeia agro também sentem pressão
As empresas relacionadas ao agronegócio fizeram 96 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre, crescimento de 18,5% frente às 81 solicitações registradas um ano antes.
As agroindústrias de transformação primária lideraram, com 23 pedidos, seguidas pelas indústrias de processamento de agroderivados, com 19, e pelos serviços de apoio à agropecuária, com 15.
É justamente nesse segmento que o Paraná aparece na liderança nacional em número de solicitações, segundo a Serasa Experian.
Recuperação judicial deve ser último recurso
A recomendação da Serasa Experian é que produtores e empresas mantenham atenção permanente ao fluxo de caixa, endividamento e capacidade de pagamento.
“Renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade, enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”, destaca Marcelo Pimenta.
O cenário reforça um sinal importante para o agronegócio paranaense: mesmo em um dos estados de maior força produtiva do país, gestão financeira, custo do crédito e nível de endividamento passaram a ocupar espaço cada vez maior nas decisões dentro e fora da porteira.
Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações da Serasa Experian
