Setembro começa com alerta no Paraná: excesso de chuva pode passar de 150 mm e atrapalhar a safra

Boletim do INMET aponta meses mais úmidos, temperaturas acima da média e quase 100% de probabilidade de El Niño; Sul do Paraná pode enfrentar excesso de água justamente no período de colheita do trigo e plantio da soja e do milho

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Setembro começa com um sinal de atenção para o produtor paranaense. O novo Boletim Agroclimatológico do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indica condições mais úmidas durante setembro e outubro, com possibilidade de excesso de água no solo e redução das janelas de tempo firme para o trabalho no campo.

O cenário merece atenção principalmente no Sul do Paraná, onde o excedente hídrico pode superar 150 milímetros em setembro e novamente em outubro.

Ao mesmo tempo, o aquecimento do Oceano Pacífico continua avançando. A projeção apresentada pelo INMET indica probabilidade próxima de 100% de ocorrência de El Niño no trimestre de agosto, setembro e outubro, com elevada chance de manutenção da fase quente até o verão de 2027.

Sul do Paraná pode ter água demais no solo

Segundo o boletim, a previsão é de precipitações acima da média em praticamente toda a Região Sul.

No Paraná, a exceção aparece no Oeste e no Norte, onde os volumes previstos para o trimestre devem permanecer mais próximos da média histórica.

No restante da região, o cenário é de maior disponibilidade de água.

O armazenamento de água no solo deve permanecer acima de 70% da capacidade disponível durante o trimestre. Isso reduz o risco de deficiência hídrica, mas cria outra preocupação: o excesso de umidade.

Excesso pode passar de 150 mm por mês

Para setembro e outubro, o INMET projeta intensificação das áreas com excedente hídrico.

O Sul do Paraná aparece entre as regiões onde esse excesso de água pode ultrapassar 150 mm em cada mês.

Na prática, isso pode significar solo saturado por períodos mais longos e menos oportunidades para colocar máquinas dentro das lavouras.

Entre os possíveis impactos apontados estão atrasos em adubações, dificuldade para aplicações de defensivos, menor número de dias disponíveis para manejo e aumento do risco de doenças fúngicas.

Trigo entra em período decisivo

A previsão chega justamente em um momento importante para as culturas de inverno.

Durante setembro e outubro, lavouras de trigo, cevada, canola e triticale estarão passando por fases decisivas, como florescimento, enchimento dos grãos, maturação e início da colheita.

Com chuva frequente e solo muito úmido, podem surgir dificuldades para o tráfego de máquinas, além de risco de atolamento, aumento da umidade dos grãos e perdas de qualidade na colheita.

O prolongamento do molhamento das folhas também aumenta a necessidade de monitoramento de doenças.

Plantio da soja e do milho também pode ser afetado

O cenário não preocupa apenas quem está terminando a safra de inverno.

Setembro e outubro também marcam o avanço da implantação da safra de verão 2026/27, com destaque para soja e milho.

O INMET alerta que chuvas frequentes e, em alguns episódios, de maior intensidade podem limitar a entrada das máquinas, atrasar operações de preparo e semeadura e até prejudicar a emergência inicial das plantas em áreas com excesso de umidade.

Para o produtor, a preocupação pode deixar de ser apenas esperar a chuva para plantar. Em algumas regiões, o desafio poderá ser encontrar uma janela de tempo firme e condições adequadas de solo para realizar a semeadura.

El Niño ganha força no Pacífico

O boletim também mostra avanço do aquecimento das águas do Pacífico Equatorial.

Na região Niño 3.4, utilizada como referência para acompanhar o fenômeno, o Índice Oceânico Relativo do Niño chegou a +1,37 em julho, acima do registrado no mês anterior e do limiar de +0,5.

Segundo o INMET, os dados reforçam uma configuração compatível com a fase quente do fenômeno El Niño.

A análise probabilística apresentada no documento aponta aproximadamente 100% de probabilidade de El Niño no trimestre agosto, setembro e outubro.

A tendência permanece elevada nos trimestres seguintes, chegando até janeiro, fevereiro e março de 2027, o que indica possibilidade de influência do fenômeno durante todo o verão.

Julho já mostrou os efeitos do excesso de umidade

Os efeitos da chuva já foram sentidos no Paraná.

Em julho, áreas do Sudoeste paranaense registraram mais de 150 mm de chuva, e a estação de Dionísio Cerqueira chegou a 296 mm no mês.

O INMET apontou que o excesso de umidade prejudicou o andamento da colheita do milho segunda safra em algumas regiões.

O solo úmido dificultou o trânsito das máquinas, enquanto a alta umidade dos grãos provocou interrupções e redução do ritmo da colheita.

Agora, com setembro começando e o plantio da nova safra se aproximando, a previsão reforça a importância de acompanhar não apenas quanto vai chover, mas principalmente a frequência das precipitações e as janelas disponíveis para cada operação dentro da propriedade.

Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET)

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