A soja ganhou força no Paraná em agosto. O Indicador CEPEA/ESALQ Paraná avançou 5,9% em relação a julho, alcançando média de R$ 142,55 por saca de 60 kg.
Na comparação com agosto de 2025, a valorização foi de 6,3%. Em termos reais, o preço é o maior registrado desde novembro de 2024.
Paranaguá chega a R$ 150,15
No Porto de Paranaguá, o movimento foi ainda mais forte.
O indicador subiu 5,7% de julho para agosto e 6,9% em 12 meses, encerrando o período em R$ 150,15 por saca.
Em termos reais, é o maior valor desde dezembro de 2023.
Segundo o Cepea, a alta foi sustentada pela demanda global firme, condições climáticas irregulares no Hemisfério Norte, incertezas sobre os efeitos do El Niño na safra 2026/27 e intensificação dos conflitos no Oriente Médio.
Produtor segura venda e indústria compra mais
Outro fator que ajudou a sustentar os preços foi a menor disposição dos vendedores.
Parte dos produtores preferiu postergar novas negociações diante das incertezas do mercado. Nos negócios realizados no mercado spot, alguns aceitaram prazos de pagamento mais longos, mas exigindo preços maiores.
Do lado comprador, indústrias brasileiras aumentaram as aquisições para recompor e garantir estoques.
Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, a soja valorizou 6,3% no mercado de balcão, que representa o valor pago ao produtor, e 7% no mercado de lotes entre julho e agosto.
Plantio da safra 2026/27 começa no Paraná
Com o fim do vazio sanitário, produtores paranaenses iniciaram a semeadura da nova safra na primeira semana de setembro.
A partir de agora, o comportamento do clima e o avanço das atividades de campo passam a ganhar importância adicional para as decisões de comercialização.
Brasil bate recorde de exportação no acumulado
Em agosto, o Brasil exportou 9,8 milhões de toneladas de soja em grão, queda de 26,8% frente a julho, mas aumento de 5,2% na comparação anual.
A redução mensal é considerada comum nesta época, com a aproximação da entrada da safra norte-americana.
Mesmo assim, entre janeiro e agosto, o País embarcou 92,79 milhões de toneladas, recorde para o período.
Farelo também valoriza
O movimento positivo não ficou restrito ao grão.
A maior disputa pelo farelo disponível elevou os preços no mercado brasileiro. Em agosto, o País exportou 2,34 milhões de toneladas de farelo de soja, alta de 23% em relação ao mesmo mês de 2025.
Em Paranaguá, o preço FOB chegou a US$ 405,32 por tonelada no fim de agosto, maior nível desde setembro de 2024.
No mercado interno, o farelo valorizou 6,8% em um mês e 13,4% em 12 meses, em termos reais.
Óleo de soja também avança
O óleo de soja também registrou valorização no mercado brasileiro.
As exportações de agosto somaram 197,22 mil toneladas, queda de 36,2% frente a julho, mas volume 30% superior ao de agosto de 2025.
No acumulado do ano, o Brasil exportou 1,5 milhão de toneladas de óleo de soja, crescimento de 43,4% na comparação anual.
Com preços mais altos, plantio começando e clima no radar, setembro tende a manter o mercado da soja no centro das atenções do produtor paranaense.
Crédito da notícia: Conversa de Colono, com informações do Cepea/Esalq-USP
